Ressaca

Se você como eu acorda nos domingos em um estado nada nobre, com a roupa da noite anterior e não sabendo como foi parar lá, vai gostar de saber que a solução dos seus problemas é algo alcoólico e bastante refrescante, que vai lhe restaurar em pouco tempo garantindo um domingo de paz sem maiores problemas.

A benevolência das ressacas é o Blood Mary, um drink clássico a base de suco de tomate, vodca e diversos temperos. O drink foi criado nos anos 20 em Paris pelo americano Peter Petiot no famoso Harrys New York Bar, que funciona ainda hoje no número cinco da rue Doneau. A pedido de muitos americanos que iam ao lugar, Peter desenvolveu um drink que pudesse ser preparado nos Estados Unidos sem problemas – onde existia a lei seca na época – que pela aparência e odor mascarasse o teor alcoólico e que fosse ao mesmo tempo, fácil de preparar.

Com o nome original de Bucket of Blood (Balde se Sangue), o drink só foi ganhar o nome original em 1934, quando passou a ser preparado também nos Estados Unidos no bar do Hotel St. Regis Sheraton, na esquina da Rua 55 com a 5ª Avenida, em Nova York. O explicação do nome  - a mais plausível –  seria uma referência a rainha Mary I da Inglaterra, que devido a implacável perseguição aos protestantes puritanos durante a restauração do catolicismo apostólico romano no século XVI, tornou-se conhecida por “Blood Mary” ou “Mary, a sanguinária”.

Blood Mary – pra você levantar da cama e fazer de pijama

Ingredientes:

- 1 dose de vodca gelada
- 1/6 de copo de suco de tomate gelado
- Sal a gosto
- Molho inglês a gosto
- Pimenta do reino a gosto
- Suco de limão a gosto

Modo de Preparo:

Junte a vodca e o suco de tomate em uma coqueteleira e tempere a gosto com o sal, o molho inglês a pimenta do reino e o suco de limão.

Não existe uma quantidade certa de tempero, mas tente equilibrar todos eles para não tem um drink azedo ou parecer que está bebendo molho pra salada. Bata todos vigorosamente e sirva em um copo baixo com cubos de gelo e um talo de salsão ou cenoura para decorar/mexer/morder.

Ênio e seu Blood Mary

Dicas, Receitas — Tags:, , — Gustavo @ 21 de dezembro de 2008

Banco de Alimentos

Outro dia no metrô voltando do restaurante, enquanto ouvia música, assistia uma daquelas pequenas televisões sem som que existem dentro do vagão     (Nota: se você não mora em São Paulo, por aqui o metrô tem pequenas televisões dentro do metrô para você assistir enquanto faz a viajem, só que elas não tem som. Pode parecer estranho, mas e bem bom), reparei um comercial que me chamou muito a atenção, não só pela idéia, mas pela ação a respeito de um assunto que eu considero um absurdo de existir em nosso país: a fome.

O anuncio em questão era sobre a ONG  Banco de Alimentos.

O Banco de Alimentos combate o desperdício de alimentos retirando, organizando e direcionando gratuitamente alimentos que estão em perfeito estado para consumo até instituições, sendo entre elas asilos, casas de apoio a criança e pessoas que não tem tanta sorte de ter um prato de comida todos os dias. O trabalho foi idealizado por Luciana Chinaglia Quintão, uma economista que em 1999 começou esse trabalho extraordinário e lindo, que continua até hoje. O site tem informações sobre a ONG, como doar alimentos, ser voluntário, além de inúmeras dicas para reaproveitar melhor os alimentos, um hábito não muito fundo em nosso país.


Banco de Alimentos

Dicas — Tags:, , , — Gustavo @ 19 de dezembro de 2008

Coco

Ta aí uma coisa que é ótima pra comer no verão, seja a sua água ou a polpa. Coco.

Andando outro dia na feira ví uma senhora ralando uma grande quantidade, bem branco e fresquinho e ao redor dela se amontoavam meninos que beliscavam aquela montanha de flocos e enchiam a boca com uma nuvem de gostos e suspiros.

Eu particularmente adoro coco, seja ela em pratos doces ou salgados. Só confesso que não sou muito fã da água. O motivo do meu desdém é um tanto quanto bobo eu confesso, mas não consigo achar que parece água com sabão. Mas deixemos de lado a minha análise injusta e tratemos de saber o que o coco é. Apesar de ser tão constante em nosso país, o coco é uma fruta original da Índia e seu valor nutritivo varia de acordo com o seu grau de maturação. Apresenta de uma forma geral um alto grau de sais minerais (potássio, fósforo, cloro e sódio) e fibras, tão importantes para a função intestinal, além de ser altamente recomendado para o tratamento da arteriosclerose, para o sistema nervoso, cérebro e pulmões. É uma ótima sobremesa para os diabéticos, pois possui quase nenhum açúcar.

A já citada água de coco, preferência nacional e desgostada por mim, é empregada como diurético por ser rica em sais de potássio e também indicada no tratamento de diarréia, vômitos e até mesmo desidratação. Pode ser usada também em casos de câimbras, problemas cardíacos, pressão alta, dores de cabeça e mal-estar. Ajuda também no combate ao colesterol e pasmem, no crescimento e desenvolvimento infantil.

Já a ingestão do coco maduro é contra indicado a pessoas que tenham problemas cardíacos e que possuam uma taxa de colesterol elevada no sangue. O motivo disso é a alta concentração de gordura que existe na polpa.

Além de todos esses detalhes que você já deveria saber, existe uma forma correta de se escolher um coco. Sim! Para saber se ele está no ponto basta bater nele com uma moeda em sua casca. Se o coco estiver fresco, o barulho emitido será estridente. Já um som oco garante um coco que foi pra cucuia e não está mais entre nós.

Sou louco por uma tapioca transbordando de coco e leite condensado ou com couz-couz de fubá com coco ralado, leite de coco e açúcar. Uma sacada bacana é também fazer cubos de águas de coco e servir com vodca ou whisky. O único jeito que eu bebo é assim.

Coco fresco ralado

Dicas, Ingredientes — Tags:, , , , — Gustavo @ 16 de dezembro de 2008

Escoffianas Brasileiras

Em uma mistura de gastronomia, respeito pelos ingredientes e cultura brasileira e muita reflexão acaba de sair o novo livro de Alex Atala, intitulado Escoffianas Brasileira.

O título é uma alusão a já famosa Bachianas brasileira do famoso maestro Heitor Villa-Lobos e Georges Auguste Escoffier, o grande chef francês responsável pela organização de uma cozinha como a conhecemos hoje. O livro é dividido em três partes, sendo elas “aprendizado”, “sonho” e “realidade”, onde o chef brasileiro descreve como foi seu processo de formação profissional até o momento atual. Tem fotos de Cássio Vasconcelos e a colaboração nos textos da jornalista Carolina Chagas, que passou cinco meses indo ao restaurante D.O.M. pelo menos três vezes por semana para dar forma as experiências e pensamentos de Atala.

Tirando de lado a análise literária da obra, o que gosto mesmo desse grande sujeito, que já tive o enorme prazer de trabalhar junto, é o respeito pelos ingredientes do nosso país, tantas vezes esquecidos e até mesmo menosprezados e sua habilidade única em transformá-los em uma coisa nunca pensada, através do uso de técnicas clássicas ou modernas.

Lembranças memoráveis que tenho de lá são os sorbets, que ajuda a preparar junto com o Jorge, que era o confeiteiro na época em que passei por lá e ainda é o atual. Boas lembranças.

Escoffianas Brasileiras

Alcachofras

Pode ser um presente daqueles bem de apaixonados, que vivem a suspirar por aí…Não é comum de se ver nas mãos das noivas com seus sorrisos na porta da igreja e apesar de linda e gostosa, não tem cheiro e nem pode ser dada aos montes ou buquês. A flor em questão só pode ser comida e a intenção do gesto, incorporado por quem aproveita.

A alcachofra que tem o nome científico de Cynara scolymus é na verdade uma flor imatura, que pertence a mesma família das margaridas e dos girassóis. Olhando pra ela você deve ficar pensando: “tudo bem, mas, como é que se come isso?” Nada mais fácil. Das alcachofras são consumidas as folhas e o seu interior, após a remoção dos espinhos que o cobrem, além da água do seu cozimento, que é um poderoso diurético e auxiliador da digestão. Umas das coisas bacanas da alcachofra é que além de ser muito gostosa e leve para ser consumida no calor é boa para diversas preparações é extremamente saudável, contendo diversas vitaminas do complexo B, potássio, fósforo, cálcio, iodo, sódio, magnésio e ferro. Seu cultivo começou no Brasil a cerca de 100 anos, trazida na bagagem por imigrantes europeus. Sendo nativa do sul da Europa e norte da África é uma planta de clima temperado a frio, se desenvolvendo muito bem em áreas úmidas. Tem o seu período dos meses de Agosto até Dezembro, quando podem ser encontradas em sua melhor aparência e preço.O lugar ideal para se comprar é nafeira e para comprar, deve-se observar aquelas que tenham um talo longo,  firme e bem arroxeado. Depois de compradas devem ser cozidas imediatamente, já que começar a perder suas características logo depois que são colhidas. A primeira vista isso parece ser um problema dos grandes, mas é mais fácil do que se imagina.

As regras básicas são:

- O talo da flor deve ser cortado próximo à base e as alcachofras devem ser lavadas em água corrente abundante entre as pétalas para a remoção da terra e pequenos insetos.

- Durante o cozimento devem ser utilizadas apenas panelas de aço inoxidável ou esmaltadas, já que panelas de alumínio escurecem as flores durante o cozimento.

- O tempo médio de cozimento de uma alcachofra é de 40 minutos, mas um truque bem fácil para ver se está pronto é puxar uma folha. Se ela se soltar com facilidade a alcachofra está pronta pra ser devorada.

- Ao cozer a alcachofra evite excesso de água, já que grande parte dos nutrientes do vegetal ficam nela. Cubra somente metade das alcachofras com água e cozinhe em fogo brando com a tampa da panela semi-aberta. Caso a água comece a acabar e as alcachofras não estejam cozidas, acrescente mais água e continue o processo.

Pode demorar um pouquinho, mas acredite, o resultado vale a pena.

Alcachofras

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