Maria Brigadeiro

Caso você não seja brasileiro eu acordou agora depois de dormir por 100 anos…

O negrinho ou brigadeiro é um doce brasileiro criado provavelmente na década de 40, sendo comum em todo o país e normalmente presente nas festas de aniversário junto com o cajuzinho e o beijinho.

O nome do doce é uma homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes. No ano 1950, o militarcandidatou-se à presidência da República pela UDN e pelo físico avantajado e de boa aparência, conquistou um grupo de fãs do bairro do Pacaembu em São Paulo, que organizou festas para promover a sua candidatura. Diz a história que em uma destas ocasiões criaram a tal delícia brasileira. Como as festas dos correligionários e cabos eleitorais eram muito disputadas pela população, estes logo começaram a chamar os amigos para “irem comer um docinho do Brigadeiro”. Com o tempo, o nome de “brigadeiro” acabou sendo dado ao doce servido na campanha e que apesar de ter feito muito sucesso e tendo recebido o apoio por todos os glutuões que apareciam, a eleição foi ganha pelo outro candidato, general Eurico Gaspar Dutra.

Por incrível que pareça aprendi a fazer brigadeiro direito esse ano. Nunca tive tanto interesse em aprender como se faz corretamente o tal, mas esse ano fui surpreendido por uma crescente vontade que se tornou então uma compulsão, uma tara pela tal maravilha de colher. Descobri que a melhor forma de fazer brigadeiro é usando manteiga, leite condensado e um chocolate em pó descente e mexer sempre com a ajuda de um fuet em fogo baixo. Quando o leite condensado estiver cozido, mas ainda mole, retire do fogo e deixe esfriar em um prato. Com tal técnica e ponto, o brigadeiro vira uma jóia, ficando extremamente liso e macio mesmo depois de dias de ter sido feito. Desde então, tenho um prato sempre na geladeira com uma colher dentro.

Seguindo por um caminho completamente diferente ao da disputa política por aliciação gastronômica ou ataques de ansiedade acalmados com doses fartas de brigadeiro quase que intravenoso, o site Maria Brigadeiro aposta em explorar o clássico brasileiro em um segmento extremamente fino e bem executado: é o caso dos brigadeiros gastronômicos.

As delícias criadas pela doceira Juliana Motter com técnicas de pâtisserie modernas e dicas de tias e avós trouxe o brigadeiro até o nível gourmet, onde o doce é preparado com diversos tipos de chocolates do mundo e oferecido em mais de 40 opções, entre elas o clássico de chocolate ao leite e amargo, até criações bastante interessantes como os de farofa de castanha de caju ou wasabi.

Os brigadeiros vêm embalagens para presente, que podem variar entre 15, 25, 30 ou 50 brigadeiros sortidos em marmitas de lata até em caixas chiquérrimas para presente.

Se você gostou e quer provar essas delícias, pode ir até a loja do ateliê, que fica na rua Capote Valente número 68, próximo a avenida Rebouças, em São Paulo.

Por final e não sendo muito nobre, me lembro que meu pai (veja bem, uma pessoa de 54 anos) tem uma técnica pra comer mais brigadeiros do que as crianças em festinhas infantis. É só empurrar a bandeja de brigadeiro para o meio da mesa, um pouquinho de cada vez, sem que ninguém perceba até a hora dos parabéns. Quem disse que aqueles bracinhos conseguem alcançar o meio da mesa? Repito aqui: não é nobre, mas extremamente eficaz.

Brigadeiro

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