Biodinâmico não é só vinho não…

Ontem quando vi a notícia de que os alimentos orgânicos não contem nutrientes a mais e assim não fazem nem mais, nem menos bem para a nossa saúde, fiquei um pouco chateado com a forma de como a notícia estava sendo mostrada. Parecia que todos nós tínhamos sido enganados a vida inteira por uma falsa promessa de uma vida mais equilibrada e saudável.

O que muita gente se esquece é que estamos ajudando em primeiro lugar o planeta, não despejando na sua terra e água agrotóxicos escabrosos. Não estamos forçando a natureza a fazer algo de forma acelerada, mal-acabada, respeitando o tempo correto de crescimento e maturação dos vegetais. Estamos consumindo conscientemente, gerando uma renda adequada a todos aqueles que participam no ciclo de produção.

Combinando alguns aspectos da agricultura orgânica, a agricultura biodinâmica sugere uma interação entre a terra, o homem e o espaço. Todas as características do cultivo orgânico estão lá: A utilização de uma elevada diversidade biológica que minimiza o desenvolvimento de pragas e doenças, o uso de um sistema de rotação de culturas – ou seja, não se planta sempre a mesma coisa – além de uma fertilização orgânica. O uso de agrotóxicos ou qualquer substância química ou sintética é repudiado.

O que diferencia a cultura biodinâmica é que além das ações físicas, são tomadas ações de procuram equilibrar a terra e os elementos do universo. São utilizados preparados biodinâmicos que podem conter quartzos moídos, além de flores e ervas para tratar do solo e das plantas de uma forma geral. Um composto animal é usado como fertilizante, além de um calendário astrológico para escolher os momentos ideais para realizar as atividades agrícolas. Todo o espaço de tempo entre o tratamento da terra, o plantio e a colheita é rigorosamente respeitado, promovendo assim através dos alimentos, uma união e integração íntima com a natureza.

Mesmo morando aqui em São Paulo você consegue achar produtos biodinâmicos com tranqüilidade. Já é famosinha a feira que acontece todas as quintas-feiras das seis e meia da manhã até a uma da tarde, na rua São Benedito no Alto da Boa Vista. A rua é meio escondidinha, fica ali ao lado de um convento, entre as ruas Alexandre Dumas e Américo Brasiliense. Muito produtores locais, guloseimas de sítio, além daquela experiência bacana de poder falar com quem planta, conversar sobre ingredientes e trocar receitas.

Pra ser sincero eu nunca preparei nada só com alimentos biodinâmicos, só mesmo com orgânicos, mas vale e muito, uma tentativa.

Dicas, Ingredientes, Lugares — Tags:, , , , , — Gustavo @ 31 de julho de 2009

Organizando

Acabou se sair do forno um estudo britânico que diz que alimentos orgânicos – pasmem! – não apresentam benefícios nutricionais a mais do que os alimentos produzidos da forma convencional.

Após analisar mais de 160 artigos médicos dos últimos 50 anos, pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, não encontraram diferença significativa de nutrientes entre aqueles produzidos de forma orgânica e de forma tradicional. Segundo um dos relatores do estudo, Alan Dangour, os alimentos orgânicos tem sim uma quantidade a mais de nutrientes, só que ela é tão pequena que não tem relevância alguma na saúde do homem.

O mercado de orgânicos movimentou no último ano uma quantia de U$ 47 bilhões de dólares no mundo. Já nesse ano as vendas não estão tão favoráveis aos produtores orgânicos, pois a recessão fez com que a venda de alimentos desse tipo despencasse consideravelmente.

Pode ser que os orgânicos não tenham de fato um valor nutritivo superior, mas a diferença neles é gritante quando se leva em conta o visual e o sabor. Suas cores são mais intensas, seu tamanho é consideravelmente menor, seu sabor mais rico e pronunciado e sua digestão mais simples e tranqüila do que vegetais impregnados de produtos químicos e carnes cheias de hormônios.

Seu custo é mais elevado sim mas devido a fatores que não são considerados na produção convencional, como o não uso de substancias químicas  de qualquer espécie nos vegetais e agrotóxicos para a proteção contra pragas, além da filosofia de repelir o uso de alimentos geneticamente modificados.

Na produção de alimentos orgânicos também se segue a idéia de agricultura sustentável, que tem como base a conservação do meio-ambiente, a criação de unidades agrícolas lucrativas e de comunidades agrícolas prósperas, ou seja, a venda dos produtos a um preço justo para quem planta – que caso você não saiba, é o que mais tem trabalho e o que menos ganha na produção de alimentos – e a união dessas unidades, criando assim comunidades de produção, sempre com a consciência de preservação da natureza.

O papo pode parecer meio hyporonga demais, mas acho que no final das contas vale a pena pagar um pouquinho a mais pelos produtos orgânicos, pois mesmo não contribuindo com nutrientes a mais em nossa dieta, você tem sabores e cores completamente diferentes, além de ter uma consideração especial com quem se dedica a plantar, cuidar e passar pra frente um produto diferenciado.

Alho&Óleo

Essa é pra salvar daquela fome blockbuster.

Faço Alho&Óleo desde que me conheço por gente e hoje, aos 24 anos recém completados, ainda não me cansei do salafrário.

Os sabores são autênticos e explodem na sua boca, é rápido de preparar e requer muita atenção na sua execução, pois como todos os ingredientes são os mais básicos e sinceros possíveis e qualquer deslize pode resultar em alho carbonizado, massa mole ou tragicamente, ambos.

Você pode até achar muito simples e na verdade é, mas não troco por nada.

Pasta Alho&Óleo

Ingredientes:

- 1 cabeça de alho

- 100 ml de óleo

- 200 gr de massa – você pode usar a que quiser, eu gosto muito de bavette para essa receita.

- Salsinha a gosto

- Sal a gosto

- Pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo

Comece descascando todos os dentes de alho e os pique grosseiramente. Não pique o alho até que ele vire uma pasta, pois mesmo sendo a sua intenção uma das melhores possíveis, o alho vai queimar muito rápido e não vai ficar crocante e douradinho, como manda o figurino.

Tem que ficar pedaçudo

Aqueça então uma panela com o óleo, em fogo alto. Quando ele estiver bem quente, junte o alho. O cheiro se espalha por todo canto, encantando até mesmo aquele seu vizinho mal-humorado. Abaixe então o fogo e vá dourando bem devagar , mexendo de vez em quando.

Não deixa queimar!

Essa é a parte mais importante, concentração! Se o alho queimar, a melhor coisa é começar de novo, nem adiante tentar salvar. Tudo que você vai conseguir é uma massa  amarga e intragável.

Quando o alho estiver douradinho, tire ele da panela e reserve. O óleo deve ficar na panela e aquecido, durante todo o tempo.

Cozinhe então a massa naquele processo clássico: água fervente em abundância com um pouco de sal e óleo, mexa sempre para garantir um cozimento uniforme e escorra quando ficar al dente. Junte então a massa bem escorrida (cuidado com massa molhada, se não vai espirrar muito!) ao óleo quente e em seguida o alho, o sal, a pimenta-do-reino moída na hora e a salsinha a gosto.

Mexa rapidamente para incorporar todos os ingredientes…

E mais nada.

Alho&Óleo...agora é só festa...

Receitas, Técnicas — Tags:, , , , — Gustavo @ 28 de julho de 2009

Pain Perdu – Vive la Bastille!

Não teve como não lembrar dessa tradicional sobremesa francesa, já que ontem, 14 de julho, se comemorou na França a queda da Bastilha. Pensei em preparar alguma coisa pro jantar de ontem pensando na ocasião, mas acabei mesmo foi me rendendo à língua ensopada que minha mãe fez com um bom chianti.

Um parênteses…Você que está lendo aí, pensando com nojo sobre comer língua de boi, por favor, deixe de preconceito e vá experimentar. Cresci comendo isso e lhe garanto que deixa muito filet mignom no chinelo.

Voltando ao pain perdu…

O “pão perdido” francês nada mais é do que a nossa rabanada, só que preparada em qualquer época do ano, e não só no natal. Pode ser acompanhada por frutas assadas, sorvete ou creme inglês, sendo que prefiro a minha junto com o café, como comi hoje.

O ideal é que você prepare com brioche amanhecido, o que não fiz porque sou incapaz de cometer tal pecado. Imagine deixar amanhecer brioche? Só mesmo na França.

Pain Perdu

Ingredientes:

- 1 fatia de pão de forma (pode ser pão francês amanhecido, caso você não queira usar pão de forma, mas o resultado com ele também é ótimo).

- 2 ovos batidos

- 100 ml de leite integral

- Açúcar a gosto

- Canela a gosto

- Manteiga a gosto

Modo de Preparo:

Coloque em um prato fundo os ovos e em outro prato fundo o leite, misturando nele um pouco de açúcar.

O que você vai usar...

Passe a fatia de pão no leite…

No leite...

E em seguida no ovo.

...e no ovo.

É importante que você não demore muito entre uma etapa e outra, caso contrário, o pão vai ficar muito encharcado e vai começar a se desfazer na sua mão. Se isso acontecer, bau bau…jogue o pão fora e comece o processo novamente.

Em uma frigideira bem quente, coloque a manteiga e espere derreter. Em seguida coloque o pão e aprecie o barulho delicioso dele fritando. Não fique cutucando o pão, deixe ele quieto, pegando aquele cor bonita. Quando estiver douradinho, vire o pão e doure o outro lado, tomando cuidado, já que a sobremesa é meio temperamental e queima rápido.

Deixe fritar...não cutuque!

Quando os dois lados estiverem douradinhos, salpique com canela e açúcar e mais nada.

Pain Perdu!

Vive La Bastille!

Encontrando Neem

O que seria o Neem? Uma planta milenar utilizada na Índia para a cura de inúmeras doenças? Um potente adubo orgânico? Ou uma solução natural para controle biológico de pragas?

Na verdade é tudo isso, acredite. O Neem – também conhecido como Nim ou Amargosa –  é uma planta que possui inúmeros usos como já descrevi acima, sendo que o meu favorito entre eles não está relacionado a curar nenhuma enfermidade, adubar alguma plantação por aí ou impedir que uma nuvem de gafanhotos tome conta de alguma plantação, mas sim o curry.

Uma curiosidade que sempre tive foi de preparar o curry em casa – sim, o curry é um produto e não algo pronto que se encontra na natureza! – mas nunca tinha encontrado as folhas de Neem para isso.

Procurava em mercados de comida oriental, na liberdade, no mercadão e nada de encontrar a bendita. Até que hoje por um capricho, em uma tarde chuvosa e mal-humorada em São Paulo, ela me aparece.

Fiquei olhando de perto, não acreditando o que tinha encontrado. “Aqui!? Mas como assim? De quem será isso?” pensei.  Cheguei mas perto, peguei um dos galhos na mão e arranquei uma folha. O cheiro era característico, algo entre amendoim torrado e óleo de gergelim e as folhas pequenas e de um verde brilhante pareciam com aquelas que tinha visto somente através de fotos. A confirmação só veio mesmo pelo sabor forte de amendoim, mas dessa vez em uma nuance mais terrosa e pronunciada. O sabor se espalha por dentro de você todo, sendo possível senti-lo só de se respirar.

Folhas de Neem

Feliz com minha descoberta e causando uma certa estranheza por parte do guarda que fazia a segurança da rua, arranquei um dos galhos com folhas suficientes para se fazer curry para um batalhão e fui colocando na mochila, feliz da vida. Por enquanto vou colocar só mesmo a planta por aqui, a receita do curry fica para um outro dia.

Não vou colocar também onde fica a planta, já que ela é fruto do trabalho e de muita paciência de alguém que a plantou por lá e esperou ela crescer.

Árvore de Neem

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