Os tais Mangaritos

Há algum tempo venho acompanhando no blog da Roberta Sudbrack o seu entusiasmo e curiosidade sobre o mangarito. Foi recebido no restaurante da famosa chef com a maior das alegrias e de pronto, posto a testes e experimentações dos mais variados. Torrar, secar, cozinhar e o que mais fosse possível com o novo ingrediente.

Para ser sincero eu nunca tinha ouvido falar sobre ele, nem visto nenhum por aí. Imaginava que seria uma fruta ou legume parecido com uma trufa, mas para minha surpresa, o mangarito é algo nosso, completamente brasileiro e que infelizmente está quase desaparecendo.

O Xanthosoma sagittifoliun, nome científico do mangarito é uma planta da família das aráceas e apresenta três variedades com folhas macias como verduras e tubérculos de sabor agradável quando cozidos. O mangarito dedo-de-negro é constituído de muitos tubérculos pequenos, é preto e semelhante a um polegar. Já o mangarito branco tem tubérculos do tamanho de uma noz e de cor clara e os mangaritos roxos são arredondados e castanhos, de coloração purpúrea. As duas últimas variedades são as mais cultivadas e mesmo que o mangarito roxo seja mais nutritivo e contenha mais gordura que o mangarito branco, não é considerado mais saboroso que o último, que produz raízes maiores.

Os mangaritos se desenvolvem melhor em regiões de clima quente e em solos férteis e secos. Seu plantio acontece entre os meses de Agosto e Outubro e sua colheita do mês de Maio até Agosto. Ao contrário de outros tubérculos que se conservam por anos dentro da terra, como a taioba, o mangarito deve ser colhido anualmente, já que se deteriora com facilidade.

O único produtor de mangarito que encontrei é o Sr. João Lino Vieira, um sertanejo de origem humilde e criado em uma fazenda de café. Desde criança ele se lembra de quando sua mãe preparava de uma forma muito simples e com os ingredientes disponíveis aquelas “batatinhas” que chamavam de mangarito, o qual nunca saiu da sua cabeça.

Quando comprou um pequeno sítio na cidade de Sarapuí, perto de Sorocaba,  imediatamente começou o cultivo do mangarito mesmo sem ter o conhecimento de como faze-lo. Durante quatorze anos, fracasso depois de fracasso, o cultivo do mangarito foi se afinando. No ano de dois mil e um, com o cultivo a pleno vapor, João teve a idéia de anunciar sua produção no suplemento agrícola no Estado de São Paulo, que para a sua surpresa teve uma avalanche de interessados no tubérculo, tanto para consumo como também para plantio.

Os mangaritos podem ser conferidos no restaurante da Roberta Sudbrack no Rio, em uma versão bastante interessante de ravióli de mangarito, o qual foi servido nos últimos dias ao grande maestro indiano Zubin Metha, que pediu para repetir o prato.

Para encomendar mangaritos – o que eu sugiro que você faça logo para conseguir algum – basta entrar em contato com o Sr. João Lino Vieira, através do telefones (11) 5561- 0120 ou (11) 7152-6585

Aqui em São Paulo não vi ninguém ainda aprontando nada com os mangaritos…Na verdade não conheço ninguém que tenha coloca as mãos neles…Quem será o primeiro?

Diletto, Gelato Italiano

Hoje fui dar uma volta pelo mercadão, já que precisava comprar algumas castanhas e frutas secas para o couz-couz que vou fazer no dia dos pais, além daquela paleta de cordeiro assada bem devagar, como eu sei que meu velho gosta.

Adoro passear por lá. Muitas coisas gostosas para provar nas barracas, um bom humor que acho difícil encontrar por aí, além de rever amigos/fornecedores e fazer aquelas brincadeiras hilárias ou mesmo colocar a conversa em dia.

E por falar em esquentar…O que é esse calor que está fazendo? Vindo de lugar nenhum, um pico do mais verdadeiro verão carioca invadiu a cidade e pelo menos pra mim, deixou as pessoas mais alegres e falantes, deu uma oportunidade de andar de chapéu Panamá, além de abrir o leque das gostosuras frias que posso experimentar. E foi lá mesmo no mercadão que me deparei com uma delas. Na verdade quando eu vi não pude muito acreditar, fiquei parado ali, embasbacado e com cara de criança.

Em uma esquininha simples do mercadão, achei uma geladeira de picolés Diletto.

Surpresa!

Tinha ouvido o lado italiano da família (Nota: Eu tenho quadro lados, onde converso sobre comida. Mas conto essa história outro dia) dizer que eram divinos e comentaram sobre simpático urso polar símbolo da marca.

Claro que fui lá conferir. Pedi primeiro um de gianduia. O sorvete é de uma leveza e delicadeza absurda e nada carregado no açúcar, que era a minha principal preocupação.

Gianduia!

Não dava para tomar só um, e na sequência ataquei um de framboesa que estava um escândalo de gostoso. Mais uma vez o açúcar se fazia secundário e o sabor da fruta explodia.

Atacando o de framboesa

A história toda dos picolés começou com o Sr. Vittorio Meneghini Scabin em 1922 no vilarejo de Sappada, na região do Vêneto na Itália. Na época da guerra o negócio foi forçado a vir para terras brasileiras e hoje, são os netos que mantém firme a tradição e a qualidade dos picolés. Além dos sabores que provei, existem ainda: morango, abacaxi, papaia e manga, limão siciliano, chocolate italiano, pistache, cappuccino, tiramissu, coco malásia e menta com chocolate.

Mais sabores...

Um outro lugar para se encontrar os picolés é no Empório Santa Maria, que fica ali Av. Cidade Jardim, 790 no jardim paulistano, se bem que tomar o picolé no mercadão tem outro gosto.

Eu prefiro por lá.

Bolonhesa Kosher

Ontem à noite, como nas maiorias das segundas, fui jantar na casa da minha mãe.

Cheguei um pouquinho atrasado, na hora em que todos se sentavam a mesa. Bati o olho por cima e vi uma cumbuca cheia de molho, enquanto do outro lado da mesa uma travessa repleta de espaguete balançava na mão de alguém que não consegui ver, dadas as garrafas de vinho que tapavam a minha visão.

O jantar só podia ser um bolonhesa daqueles sinceros, da mamãe, de comer de joelhos. Devo ter comido umas três vezes. Fechava os olhos e me sentia de novo pequeno, sentado no banquinho da cozinha enquanto almoçava antes de ir pro colégio.

Bolonhesa na mamãe...

Nem me lembro de como consegui chegar vivo até o final, só estava era feliz mesmo por estar lá. Enquanto os pratos eram tirados pra dar sequência à sobremesa, minha mãe me puxa de lado e pergunta:

- “Gostou do molho?” com um sorriso de quem quer dar risada e contar um segredo ao mesmo tempo.

- “Gostei sim, incrível”, respondi

- “Então, era kosher” me disse toda orgulhosa.

É assim que é vendido...

Eu nunca tinha comida carne kosher e devo dizer que foi uma experiência bem boa. A consistência é exatamente a mesma e o sabor um pouquinho mais fraco do que a carne que estamos acostumados.

Conversando com que era judeu a mesa, descobri que o processo para se obter a carne kosher se baseia em matar o animal sob a supervisão de um rabino de uma forma rápida e indolor e retirar todo o sangue possível da carne através da sua secagem ou mesmo sal. Dessa forma a carne se torna kosher, ou “própria” em hebraico. Um animal que tenha morrido de qualquer outra forma que não o sacrifício ritual, é chamado de “neveila”, que significa literalmente “coisa suja”.

A Torá, que é o livro sagrado para os judeus, não fala claramente o porquê da maioria das leis alimentares, sendo que as razões podem ser de ordem filosófica, ritualística, ou até mesmo higiênica ou práticas. Alem do consumo de carne kosher, o Cashrut, que é termo para às leis de alimentação no judaismo, não permite o consumo de carne de porco, todos os frutos do mar, peixes que não possuem escamas, carne com sangue e qualquer alimento que misture carne com leite.

Kipá!

Achei bacana saber, mas seria incapaz de praticar. Imagina ficar sem comer o que vêm do mar? E bife a parmegiana? E torresminho?

Dicas, Ingredientes — Tags:, , , , — Gustavo @ 5 de agosto de 2009

Miojo de família

Hoje na hora do almoço aconteceu uma sessão nostalgia, daquelas que fazem você ficar olhando uma panela de água ferver e ficar pensando em como algumas coisas, mesmo que simples ou até um poucos toscas, marcam você pra sempre.

Lembro que fazia frio, muito frio. Eu tinha por volta de uns cinco ou seis anos e meu pai corria freneticamente pela casa, caçando cobertas, cobertores ou qualquer outra coisa que fizesse com que aquele que vos escreve, parasse de reclamar. Com o problema “frio” resolvido, veio outro que também o cutucava: A fome.

A solução foi apelar pro miojo velho de guerra, que combinado com glutonice, desespero e alguma criatividade fez surgir à glória do miojo com requeijão.

Pra você que está acostumado com o fino da bossa, a comer só mesmo trufas e ir a restaurantes hypadinhos, fica aqui uma dica: Não faça, você não vai gostar. O que rola com essa receita é o mais confort&junk possível, daqueles de se esparramar no sofá com uma bowl fumegante e uma meia de cada cor.

Miojo com Requeijão

Ingredientes:

- 1 Miojo do sabor que preferir

- 1 pote de requeijão

Modo de Preparo:

Não teria como ser mais fácil. Prepare o miojo daquela forma tradicional que você já está acostumado. Caso essa sua primeira incursão ao mundo trashfood, calma! Siga as instruções que vem no verso do miojo. Sim, é incrível, mas tem um jeito certo de fazer!

Cozinhando o miojo

Quando o miojo estiver no ponto (outra coisa que muita gente não sabe…gente, miojo tem ponto!), escorra-o da água mas mantenha – olha que esse detalhe é importante – uma fina camada de água no fundo da panela. Volte então à panela no fogo junto à massa, o temperinho que vem dentro do miojo e o requeijão. A quantidade de requeijão é algo que vou deixar você escolher. A minha opção eu descreveria como “possível infarto antes dos trinta”, mas se você quiser pode maneirar.

Juntando tudo

Em seguida misture tudo com a ajuda dos hashis, leve a um bowl e sem demora mande pra dentro, aproveitando o caldo quente e cremoso.

Aproveita enquanto tá quente!

Só por favor não tente, repito, NÃO TENTE comer como aqueles japoneses que você vê comendo lamen durante a feira da Liberdade de domingo. Eu nunca consegui reproduzir o tal método sem queimar a boca e arredores.

Dicas, Receitas, Técnicas — Tags:, , , , , — Gustavo @ 3 de agosto de 2009
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