Sanduíche de Pernil

No domingo me deu vontade de comer um sanduíche de pernil.

Confesso aqui que sou fã, doido, louco, tarado mesmo por um sanduíche daqueles com o carne bem macia e o molho que ficou assando junto com o pernil, embrulhado por um pão fresquinho. Não consigo pensar em nada melhor, juro.

Saí pela Peixoto, subi a Augusta e fui em direção ao BH, que fica ali na esquina na mesma rua com a Luís Coelho pertinho da Av. Paulista.  Sentei no balcão e fiquei olhando o movimento.

Coladinho no balcão

Você que está aí lendo e que só vai a restaurantes emperequetados, cuidado! Esse post não é para você! Ainda é tempo de parar de ler e ir comer alguma coisa nos Jardins ou Higienópolis, mas garanto que você vai estar perdendo uma das melhores coisas da vida.

Não fiquei enrolando muito e pedi de cara o sanduba. A coisa toda também é bem rápida, sendo que você vê todo o processo de criação, que eu adoro. Corta pernil, pernil na chapa, pernil no pão, você feliz. O processo não demora mais do que 5 minutos e o que chega pra você, é issoSanduba de Pernil

Pão torradinho, fatias fininhas de carne suculenta junto com o molho que assou todo o tempo junto com o pernil e queijo, muito queijo. E é isso. Ataquei e fui comendo em paz. A carne tá escapando por um canto do pão? Empurra ela com o dedo de volta. Pingando gordurinha do dedão? Chupa o dedo. Não vale nenhum tipo de censura o pudor, o que importa é aproveitar.

Depois de tudo não tem mais nada o que dizer.  Só alegria.

O final da festa

BH

Rua Augusta 1533, São Paulo

Telefone: (11) 3283 3653

Aberto todos os dias, o tempo todo, sempre.

Dicas, Lugares — Tags:, , , , , , , , , — Gustavo @ 29 de setembro de 2009

Te Amo Vó

Hoje apareci na casa da minha avó portuguesa de surpresa.

Não teremos receitas por aqui hoje, mas sim a descoberta de toda a magia que correm nos dedos da Sra. Esmeraldina da Conceição Calçada Rodrigues: Seus livros de cozinha.

A descoberta dos artefatos só foi possível devido a uma reforma na cozinha que estava acontecendo por lá. Fiquei um pouco chateado na verdade quando vi meu cômodo favorito da casa, onde passei a maior parte da minha infância rodeada por bolinhos de bacalhau e pratos de mingau, desfigurado, sem os tradicionais armários beges que garantiam aquele ar tradicional de casa de vó.

Enquanto comia e escutava minha avó contar animada como ficaria a cozinha – alguma daquelas bizarrices pré-projetadas e assinadas por arquitetos famosos em dar pés direitos de desesseis a restaurantes nos jardins – vi em um canto os livros e cadernos empilhados, velhinhos, amarelados pelo tempo, mas cheios de memórias e segredos.

Fiquei sabendo que o primeiro deles escrito aos treze anos, no ano de 1949, quando minha avó freqüentou no SESI da cidade de Santos um curso de “habilidades do lar”, área mais do que importante naquela época  quando se queria descolar um marido.

O tempo passou, minha avó se casou, teve filhos, netos e agora já faz o mesmo míngua que fazia para mim para o seu primeiro bisneto, que chegou faz pouco tempo mas já corre grudado na barra da saia.

Desde lá muitas gulodices passaram pela mesa dos Rodrigues em festas de finais de ano, páscoas, dia das mães, pais, aniversários e tantas outras comemorações alegres ou tristes. Sempre feitas pelas mãos da matriarca e que hoje, são auxiliadas pelas minhas.

Mesmo eu com 24 e ela com 74,  só tenho a agradecer, mais do que tudo.

Foi daqui que começou...

Receitas — Gustavo @ 14 de setembro de 2009

Brincando de Gaudí

Aconteceu agora pouco aqui em casa.

Queria comer um macarrão no jantar. Nada demais, só mesmo no azeite com uma pimenta moída na hora e estava de bom tamanho. Coloquei a água no fogo empolgado e comecei a procurar por aquele macarrão, quase místico na dispensa, que você jurava que estava lá. Acontece que a massa está lá realmente, mas não se tratava de bavette ou mesmo bucattini. Era um pacote de massa de lasanha. Motivado pela fome e sendo alimentado nesse momento pela preguiça, resolvi usar aquela massa mesmo, só que de um jeito diferente.

Primeiro cozinhei as placas de massa em água fervente, com sal e um fio de óleo. Cuidado para não cozinhar muito! As placas de massa têm que ficar um pouco firmes ainda, ou seu macarrão vai ficar mole e de dar pena no final.

Não pode cozinhar muito!

Desligue então o fogo e com a ajuda de uma pinça, retire cada placa de massa de uma vez, colocando sobre uma tábua.

Na tábua

Daí então é só alegria. Com a ajuda de uma faca bem afiada – o detalhe é importante, se não a chance de rasgar e grande – corte a massa em formas geométricas, ou em triângulos ou como você achar melhor. Não tem que ser de um jeito só, qualquer um vale.  Não fique viajando muito nas formas, pois você tem que cortar todas as placas que ainda estão na panela antes que elas atinjam o ponto certo.

Brincando de Galdi

Depois de fazer os cortes coloque os pedaços de massa em um bowl grandecheiro de água gelada e um fio de óleo. A água gelada vai fazer com que a massa pare de cozinhar e o óleo, que os pedaços não grudem uns nos outros. Espere cerca de 3 minutos, mexendo com movimentos leves os pedaços de massa com as mãos. Escorra e está pronto pra usar, como você quiser.

Assim ela não passa!

O que a fome e preguiça não fazem.

Dicas, Técnicas — Tags:, , , , , — Gustavo @ 10 de setembro de 2009

Crumble com Garoa e Saudades

Véspera de feriado em São Paulo.

Cinema, museu, andar pela Augusta e amigos são sempre coisas ótimas, mas chegando o domingo à noite e com a chuva fininha caindo lá fora, não consigo fazer mais nada, só ter fome e preguiça. Pelo menos o tempo dá a chance de fazer coisas boas pra comer e afundar no sofá com o melhor vídeo do mundo.

Crumble de Maça

Ingredientes:

- 4 maças verdes grandes

- 150 gr de manteiga sem sal gelada

-  100 gr de farinha de trigo

- 100 gr de amêndoas

- 50 gr de açúcar

- Cravo-da-índia em pó a gosto

- Canela em pó a gosto

Modo de Preparo:

Comece picando grosseiramente as maças. Os pedaços realmente não precisam ficar iguais, só mesmo do mesmo tamanho. Se você quiser pode tirar a casca, mas eu prefiro deixar, tanto por ser mais fácil quanto mais nutritivo.

Não precisa ser certinho...

Em uma panela grande, derreta em fogo brando cerca de 50 gramas de manteiga juntando a maça em seguida. Acrescente então o açúcar, o cravo-da-índia e a canela em pó e mexa para misturar tudo. Daí por diante a coisa toda toma forma por si própria, só mexa de vez em quando para cozinhar tudo por igual e garantir que nada grude no fundo da panela. Quando as maças estiverem macias, mas não desmanchando, retire do fogo e reserve.

Na panela com cravo, canela e açúcar

Em uma tigela junte o restante da manteiga com a farinha de trigo e as amêndoas picadas grosseiramente, até o ponto em que tudo vire uma grande “farofa”. Essa vai ser a cobertura do Crumble.

Farofa de manteiga, farinha e amêndoas

Coloque as maças em uma forma e cubra com a “farofa”, levando ao forno bem quente até que a cobertura fique dourada e crocante. Mais uma vez, como sempre digo por aqui, o exercício da observação é necessário. Faça o seguinte: Coloque o seu forno no médio e dê uma olhada a cada dez minutos. Não tem o que errar, uma hora ele chega lá.

Saindo do forno!

O crumble fica bom com muitas coisas: Creme inglês, sorvete de creme ou uma boa companhia, sendo que nesse caso é perigoso e nada sexy jogar crumble quente sobre quem você gosta.

Jantar, Amigos e Guitar Hero

Uma terça-feira a noite com calor em São Paulo pede jantar honesto com amigos.

Aconteceu tudo na casa da Leonora, velha amiga que gosta como eu de comer bem qualquer coisa, desde que feita com honestidade e atenção. Outras semelhanças como David Lynch, preguiça e comilança compulsiva também são visíveis, mas serão desconsideradas aqui.

Vendo o que já se tinha na geladeira e pensando em algo leve e não muito trabalhoso para fazer – olha a preguiça aí – decidimos por uma salada de endívias com manjericão limão e semente de mostarda que ficou bem gostosa.

Salada de Endívias,  Peito de Peru e Manjericão Limão

Ingredientes:

- 4 endívias médias

- 1 maço de baby rúcula

- 350 gr de peito de peru defumado

- 1 caixa de tomates cerejas bem maduros

- 30 ml de vinagre balsâmico

- 60 ml de azeite-de-oliva extra virgem

- 30 ml de mel

- Sal a gosto

- Semente de mostarda a gosto

- Manjericão limão a gosto

Modo de Preparo:

Lave muito bem a rúcula, as endívias e reserve. Em um recipiente grande faça uma primeira camada com as folhas de rúcula. Não precisa arrumar com muita ordem ou atenção, apena forme uma cama sem deixar espaços. Rúcula, Leonora e Endívias

Em seguida comece a despetalar as endívias, mas não vale rasgar nem quebrar as folhas. Faça mais uma camada com as folhas, seguindo a mesma idéia da rúcula: Nada de espaços vazios.

Primeiro as indívias...

Corte os tomates em pedaços pequenos, do tamanho de um bocado e os espalhe sobre as endívias.

Depois os tomates...

Rasgue com as mãos as folhas de manjericão limão e as espalhe sobre as endívias. Uma dica que aprendi a pouco tempo é que rasgar ou macerar as folhas e não as partir usando uma faca ou mesmo uma tesoura, são as únicas formas de ativar os óleo essenciais e liberar sabor e o perfume, que são extraordinários no caso do manjericão limão.

O manjericão...

Por último rasgue as fatias de peito de peru e mande por cima das endívias. De novo, nada de ficar ajeitando ou arrumando, como ficar, ficou.

E por último o peito de perú

Faça um vinagrete seguindo a proporção clássica francesa, que caso você não saiba é de uma parte de um elemento ácido para duas de gordura. Bata os dois rapidamente com a ajuda de um fuet para garantir que se emulsionem, juntando em seguida o mel. Bata novamente e reserve. Macere em um pilão as sementes de mostarda até que estejam todas quebradas e as junte ao vinagrete. Tempere com sal a gosto e reserve.

Vinagrete de mel e semente de mostarda

Sirva a salada com cuidado para não desmontar as camadas feitas no recipiente. Tempere com o vinagrete, mas fica aqui a dica: o bacana mesmo é transformar as folhas de endívia em pequenos “lagos” de molho e comer cada uma com todos os ingredientes da salada dentro.

No prato

O resto e papo, cervejinhas e calor.

Amigos em casa

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