Mixirica e Omelete de Ostras
Imagina que você tem uma amiga que é doida por comida. Mas doida ao nível de como você, outro doido, acordar as 9 hora da manhã no Domingo pra comer ostras de café da manhã, um dejejum dos campeões no lugar de pão na chapa e café com leite.
Nunca pensei que fosse encontrar, demorou um pouco na verdade, mas até que enfim eu achei! E com ela, Tatu do blog Mixirica que eu fui no domingo encontrar esses lindos animais que eu tanto amo, ainda mais com suco de limão e sal. No começo pensamos em comer algumas por lá mesmo, mas decidimos leva-las pra casa e fazer um desafio de quem criava o melhor prato de ostras, já que nunca comi muitas opções cozidas. Não queria aplicar nenhuma forma de cozimento severo, que pudesse alterar rapidamente o estado da ostra. Pensei em algo indireto, que envolvesse a ostra por todos os lados e transmitisse o seu calor lentamente a ela, fazendo-a ficar líquida mas cremosa.
Não ia ser torta, nem rocambole ou souflê, mas sim um simples e bem honesto omelete.
Omelete de Ostras
Ingredientes:
- 10 ostras frescas
- 4 ovos
- 1/2 maço de cebolinhas
- 10 gr de manteiga
- Sal a gosto
- Pimenta moída na hora a gosto
Modo de Preparo:
Omeletes são coisas que eu adoro e admiro. Adoro por ser algo simples com muito sabor e personalidade e admiro porque uma omelete bem feita, é algo que distingue um bom de um mal cozinheiro. Não é a toa que é o prato que a maioria dos cozinheiros faz a pedido do chef, quando está entrando na cozinha de um restaurante. Através dele você pode observar uma série de habilidades do cozinheiro, como controle do fogo (para dar uma cor dourada a omelete, sem queima-la), tempo (é preciso prática pra garantir que o ovo coagule a sua proteína ao mesmo tempo a omelete ganha cor) e habilidade manual (porque ninguém vai querer comer uma omelete que pareça ter sido atropelada por uma carreta). Apesar de ser uma receita com ostras, essa é uma técnica básica, onde você pode transformar o omelete no sabor que você quiser.
Comece quebrando os ovos dentro de um bowl
E os bata vigorosamente com a ajuda de um fuet, até que fiquem bem aerados, formando uma espuma leve. Tempere a mistura com sal e pimenta moída na hora e reserve.
O processo de abrir a ostra que não é nada complicado como você está pensando. Com a ajuda de um pano seco segure firmemente a concha usando a palma da mão. Na outra mão, com a ajuda de uma faca pequena (essa é daquelas de patê que cumpriram muito bem com a tarefa, mas existem facas próprias para isso) procure por pequenas aberturas onde você possa introduzir a ponta da faca. Essa é uma atividade que pode levar algum tempo, por isso vá com calma e não tenha pressa.
Pronto, você encontrou. Agora é hora da ação.
Motivo da briga: Você quer abrir a concha, a ostra por sua vez quer que você passe mais tarde e não encha o saco. Como você é mais forte, tem uma faca e é munido de polegar opositor, force a faca para dentro da ostra, fazendo uma leve pressão até que metade da lâmina tenha entrado dentro da concha.
Com a faca lá dentro, a ostra não tem a menor chance. Agarre com firmeza o cabo da faca e gire 90 graus para frente, transformando a lâmina em uma alavanca, que vai abrir a concha.
Force até que ela abra completamente. Não foi tão difícil, foi?
Agora um segredo! Pra manter a ostra inteira, bonita e ideal para fazer a receita, passe a ponta da faca com delicadeza em baixo do molusco. É nessa região que existe o músculo que a ostra usa para se fixar a concha e mantê-la fechada.
Com isso feito, a ostra está pronta pra ir na panela. Abra todas as ostras e reserve.
Aqueça um frigideira em fogo alto, de preferência anti-aderente, com a manteiga. Quando essa derreter e cobrir toda a frigideira, acrescente os ovos batidos e abaixe o fogo até o mínimo possível.
Agora o segredo de todo omelete bonito: Deixe os ovos em paz! Nada de ficar cutucando ou mexendo na panela. O calor vai aos poucos coagulando os ovos e isso não vai acontecer se você ficar pentelhando os pobres coitados. A dica pra saber quando você pode mexer é observar a sua borda. Quando ela estiver firme e num tom amarelo bem claro, vá soltando com a ajuda de uma espátula. Nesse ponto, acrescente as ostras e a cebolinha e espere que o resto da omelete comece a ganhar a mesma coloração das bordas, o que indica o momento certo de dobrar.
Nessa hora, não precisa ficar afobado, pensando que vai dar errado. E se der, você está sozinho na cozinha, quem vai ver? Com cuidado, introduza a espátula em baixo da omelete na região do centro e com um movimento rápido e firme, vire a omelete para um dos lados a sua escolha.
Pronto! Ficou bonita? ótimo! Não ficou? Não tem problema, sempre vão existir ovos, manteiga e frigideiras pra que você treine até acertar. Só não perca a vontade de tentar!
Depois de dobrado, espere que a omelete ganhe cor. Se você preferir ele bem dourado, pode virar pra que ele peque cor do outro lado também. Como eu prefiro ela mais clara, já estáva no ponto pro meu gosto.
Agora as considerações: Ficou muito bom, mais do que eu esperava na verdade (olha a sinceridade). A omelete ficou cozida por fora e cremosa por dentro e a idéia de infringir calor indireto a ostra funcionou muito bem, preservando o seu sabor, mas garantindo uma textura cremosa mas não completamente líquida.
Os cook test dummies @juliareis, @ricardomarmora e Tata aprovaram, até pra Tata que nunca tinha comida uma ostra – que sacrilégio! – na vida.
A melhor parte é que eu ainda salvei algumas ostras pro Blood Mary, mas isso é outra história. O que será que a Tatu aprontou?











































