Alho Negro: Estudos e Observações

Finalmente!

Depois de muito tempo consegui colocar as mãos no famoso alho negro! Já tinha lido inúmeras matérias sobre o produto mas nunca tinha conseguido encontra-lo em nenhum lugar. Quem me ofereceu foi a querida Nathalia Yamauti do Bistrot Pregui que encomendou o produto e me deu uma parte pra que eu pudesse chamar de meu.

Peguei a encomenda e segui pra casa feliz. Cheguei, tirei o casaco e fui abrindo animado o pequeno saco de papel branco onde estavam três cabeças do ingredientes. Enfiei a mão no saco e tirei com cuidado um dos alhos.

De cara você vê que é um alho, mas com algumas diferenças que dão características muito particulares ao ingrediente: Primeiro é o aroma, com notas defumadas e doces que perfumam todo o ambiente na mesma hora que você tira o alho do saco. É tão cheiroso, mas tão cheiroso que você sente vontade de colocar na gaveta pra perfumar as roupas. Ele também é bem mais leve que as cabeças de alho que estamos acostumados a comprar no mercado, o que deu a deixa pra supor que pra chegar nesse ponto, o alho passaria por algum processo de desidratação. A casca é bem fina e tem uma coloração cor de terra, que se solta com facilidade.

Por fora ele já era lindo. Agora por dentro…

É bizzaro…mas de uma maneira maravilhosa e surpreendente! Os dentes de alho tem uma cor preta muito forte e uma textura macia e bastante maleável. O aroma é muito mais pronunciado, composto por diversas notas delicadas que passam por doce, defumado e agora presente, ácido. Boas assossiações podem ser feitas – ao meu ver – com redução de vinagre balsâmico, chocolate, cogumelos e defumados.

Provei puro um dos dentes de alho e pra minha surpresa, muitos dos aromas que senti estavam presentes no sabor, sendo o primeiro impacto causado pela redução de vinagre balsâmico, evoluindo para defumados e cogumelos, lembrando ao final um sabor leve de chocolate.

Fiquei curioso em saber se aqueles aromas eram persistentes ou voláteis ou seja, se depois de trabalhado o ingrediente permanecia com as mesmas características ou se os aromas desapareciam com o tempo. Pra testar minha hipótese, fatiei o alho em diferentes espessuras e deixei ele repousar por 10 minutos.

Depois dos 10 minutos voltei aos alhos e o cheiro deles me parecia mais enfraquecido, sendo ainda presente, claro, mas sem aquele buquet que existia no começo e invadia e perfumava o ambiente inteiro, restando apenas um aroma que se resumia ao particular de cada pedaço. O sabor sofreu leves alterações, sendo ainda muito presente o doce, sendo as características de cogumelos e defumado bastante enfraquecidas e o de chocolate não mais perceptível. Não houve perda de coloração, textura ou observação de mais nenhuma alteração.

Não coloquei os alhos negros em ação em nenhuma receita ainda, mas como só fatiei alguns dentes, tenho ainda muitos pra ver como ele irá se comportar quando sofrer influência do calor. Não decidi ainda o que vou preparar, mas vou optar por algo simples, que acompanhe de braços dados esse excepcional ingredientes e que sirva de base pra sua projeção.

O final de semana vai ser de experimentos lá em casa…

Ingredientes — Tags:, , , , , , , — Gustavo @ 6 de agosto de 2010

1 Comentário »

  1. Master hein…esse eu estava acompanhando, aguardo uma receita com isso

    Comentário por Ronaldo inc. — 9 de agosto de 2010 @ 12:04

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