Lagostins com Pirão de Farinha D’água

Sempre que vou na feira de domingo, fico olhando pros Lagostins.

Não sei porque, mas mesmo dentro de caixas de isopor e coberto de gelo picado por todos os lados, vejo que eles tem uma cara feliz, como se dissessem “me leva pra casa e me asse na churrasqueira!” ou ”eu e meus camaradas aqui, queremos que você faça uma pilha com nossos corpinhos no seu prato e nos devore com um balde de manteiga de ervas”.

De tanto olhar e ouvir os gritos e pedidos – que só existiam na minha cabeça, não me pergunte porquê – vou direto pra casa com o sacola pingando e abarrotada com uma porção deles, não sabendo de certo ainda, como iria mandá-los pro bucho.

Depois de algumas cervejas e uma investigação minuciosa da dispensa, o resultado foi esse daqui:

Lagostins com Pirão de Farinha D’água

Ingredientes:

1.5 L de água

1 Kg de lagostins frescos

300 gr de farinha d’água (você vai precisar da ajude de alguém que mora no Norte ou do melhor traficante alimentar que conseguir)

1 pimentão vermelho

1 pimentão verde

2 cebolas

2 cenouras

5 dentes de alho

3 talos de cebolinha

3 pimentas de bode

Salsinha fresca a gosto

Coentro fresco a gosto

Azeite extra virgem a gosto

Salsinha fresca a gosto

Sal a gosto

Pimenta do reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

Antes de mandar ver, vamos as apresentações.

Com vocês: O Lagostin

Pesando entre 150 e 300 gramas, o Lagostin é um pequeno crustáceo de água salgada, muito comum nos estados do Nordeste do Brasil, como também no Rio de Janeiro (de onde vieram esses daqui). Possuem uma cor vermelho alaranjada bem forte e longas pinças, sendo essas porém, menores e mais finas do as de uma lagosta. Sua carne tem uma consistência firme e um sabor leve e adocicado, além das cascas, que quando transformadas em caldo dão uma das melhores bases de bisque que se tem notícia.

Agora vamos ao que interessa: A receita

Ataque primeiro os lagostins: Delicadamente, separe a cabeça da calda. Não é preciso muita força ou pressão, basta puxar que ela sai facilmente.

Depois, com a ajuda de uma tesoura de cozinha, corte a parte inferior da calda do lagostin e com muito cuidado, retire lá de dentro a carne do crustáceo. Não se assuste com o tamanho, é pequeno mesmo! Reserve a carne na geladeira, coberta com um plástico filme para que não resseque.

As cascas, como também as cabeças, devem ser reservadas. Com elas vamos fazer o caldo – ou “fundo” no jargão culinário – que vai hidratar o pirão de farinha d’água e garantir que seus convidados queiram esfrega-lo na cara, tamanho o gosto bom.

Com essa parte completa, faça o caldo. Pique grosseiramente uma das cebolas e a cenoura em cubos médios

Aqueça então uma panela com o azeite extra virgem em fogo médio e frite as cebolas até que fiquem translúcidas. Quando chegarem em tal ponto, acrescente as cenouras e mexa de vez em quando, até que ambas fiquem levemente tostadinhas.

Nesse momento, junte as cascas, as cabeças e aumente o fogo até que tudo fique com uma cor laranja-vermelho levemente opaca. Um aroma doce e bem característico de camarão vai perfumar a cozinha toda, quando as cascas estiverem no ponto certo.

Acrescente então a água, os talos de cebolinha e a pimenta de bode as cascas, e deixe cozinhar em fogo brando até que o caldo fique com uma coloração alaranjada. O legal é deixar o caldo cozinhar por umas 2 a 3 horas antes de fazer a receita, então, deixe o fogo bem baixo e vá fazer alguma coisa que você goste. Pode ser qualquer coisa, só esteja de volta na hora certa, por favor.

Pronto! Depois de um filme ou uma caixa de cerveja, você está de volta a batalha.

Parta pra cima dos pimentões, da cebola e do alho, os partindo em cubos pequenos e arrumando em um prato.

Da mesma forma que o caldo, aqueça uma panela com azeite extra virgem e frite a cebola, até que fique translúcida. Junte então o alho e o doure levemente, acrescentando em seguida os pimentões. Reduza então o fogo e cozinhe tudo na própria água que o pimentão vai soltar.

Agora, a farinha d’água

Se você ainda não conseguiu colocar as mãos nessa maravilha, vou te dar uma dica: Descubra alguém que vá para o Pará e peça a farinha de lá, especificamente de uma cidade chamada Bragança, que fica a uns 300 Km de capital, Belém.

A Farinha d’água é chamada assim porque depois de descascada, ela é amolecida de três a quatro dias em água corrente limpa, sendo tal processo feito na região norte, nas águas correntes dos igarapé. Depois, a massa de mandioca é lavada, prensada, passada em uma peneira grossa e torrada lentamente em uma forno de farinha a lenha, o que dá a ela um sabor característico e um textura bastante crocante.

Junte aos poucos a farinha aos pimentões e mexa rapidamente com um garfo, para que não se forme uma grande bola de massa. Você vai ver que ela absorve toda a água da panela na hora, ganhando uma cor amarelada viva.

Agora pare por um instante e prove : Você sente com a língua, como existem alguns grãos que estão macios mas outros permanecem duros? E pra isso que nós fizemos o caldo jovem padawan! Acrescente-o aos poucos, até que tudo ganhe uma consistência firme, porém úmida.

Lembra de todas aquelas caldas do lagostin? Chegou a hora delas!

Tempere-as com sal e pimenta do reino moída na hora, aqueça uma frigideira anti-aderente com um pouco de azeite de oliva extra virgem e as frite rapidamente. Não se preocupe em deixá-las dourada ou coisa do gênero, porque a carne é muito, muito, mas muito sensível. Se você cozinhar demais, ela vai virar uma borracha e ficar uma desgraça. E você não quer isso, quer?

Misture então o carne do lagostin ao pirão e finalize com a salsinha e o coetro bem picados. Daí é só corrigir o sal e acrescentar mais um pouco de caldo pra garantir a textura cremosa.

Elvis Não Morreu, Ele Só Saiu Pra Comer Alguma Coisa

No dia 16 de Agosto, exatamente em 1977, Elvis Presley passava dessa pra melhor enquanto lia no banheiro da sua casa, o que me parece uma forma bastante decente de ir conhecer o grande fazedor de pão, que mora lá em cima.

Vou dizer que comecei a ouvir Elvis mais velho que o de costume. Não me lembro mesmo quando, mas um dia ouvi tocando, fui atrás, e daí pra frente não parei mais de dançar de meia, na sala recém-encerada.

Mas vamos ao que interessa do Rei. O que teremos hoje por aqui é o legado glutônico que Elvis deixou pra todos nós. Um legado grudento, crocante, gordurento e até podemos dizer sujo e trapaceiro.  Um sanduíche de banana, manteiga de amendoin e bacon. Dá ate pra entender porque ele empacotou aos 42. Bom, pelo menos ele aproveitou.

Sanduíche de Manteiga de Amendoin, Bacon e Bananinha Ouro

Ingredientes:

Duas fatias de pão da sua preferência (eu usei baguette)

2 colheres de sopa de manteiga de amendoin (a gringa é a melhor)

1/2 colher de sopa de manteiga

4 fatias de Bacon (daqueles que você compra em tirar bem compridas)

6 bananas ouro

Modo de Preparo

Esse é um sanduíche bem rápido de fazer, onde uma coisa e preparada enquanto a outra cozinha.

Ainda com a frigideira fria, estique sobre ela as fatias de bacon e coloque tudo pra fritar em fogo alto. Você vai reparar que um monte de gordura começa a inundar a frigideira, fazendo com que o bacon comece a boiar, o que não é legal. Retire o excesso de gordura e continue fritando, até ficar assim: Douradinho e crocante de um lado, mas ainda branco do outro.

Quando ele ficar nesse ponto, vire o baicon e deixe que o outro lado fique com um cor caramelo alaranjada tão lindo, que você tenha vontade de passar na cara. Deixe esfriar sobre um papel toalha, pra que escorra o excesso de gordura.

Aproveite a gordura que o bacon deixou na frigideira e frite em fogo alto as bananinhas ouro, até que fiquem douradas e macias. Quando atingirem esse ponto, desligue o fogo e deixe reservado quente. Hora de atacar o creme de amendoim.

A manteiga de amendoim você pode usar aquela que preferir, ou mesmo se não conseguir encontrar, basta pegar um punhado de amendoins e triturar com um pouco de óleo de amendoim, açúcar e uma pitada de sal. Fica a mesma coisa. Eu gosto bastante de uma marca chamada Planters e sempre que sei de alguém que vai pra fora, peço pra trazer uma.

Corte duas torradas da baguette e espalhe primeiro sobre ela um pouco de manteiga, e em seguida, uma camada fina de manteiga de amendoim. Não adianta se emocionar e colocar muito, pois se não vai ficar enjoativo e moribundo, uma chatice escorrendo por tudo quanto é lado.

A hora de se emocionar vem agora. Seja gentil com você mesmo e coloque um dedo de queijo prato, daquele amarelinho de derretência já conhecida. Depois, mande pro forno e espere o pão ficar crocante e o queijo se acomodar por todo lado.

Com o queijo já derretido e o pão crocante, espalhe de um lado o bacon, o partindo em pequenos pedaços e do outro lado as bananinhas ouro, cortadas na metade no sentido do comprimento.

Daí é juntar os dois lados e pronto.

It’s Nooooooooooooow or Neveeeeeeeeeeeeer!!!!

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