Quando eu era pequeno eu comia: Marisco Lambe Lambe

Antes mesmo de saber o que era Marisco Lambe Lambe, ou mesmo, o que era um Marisco, a primeira lembrança que tenho desse prato são travessas.

Sabe aquelas travessas de alumínio ovaladas bem requenguelas, que vem cheias de feijão e salada de batata quando você vai comer no seu boteco favorito? São essas mesmas. Órfãs dos antigos restaurantes que meu avô teve em Santos, elas apareciam com frequência no almoço e no jantar, derramando cheiros e gostos que hoje, só existem na minha lembrança de garoto gordinho.

Vinham da cozinha sempre aos trios, cheias de arroz, feijão, bisteca, coração de boi frito ou um dos 4.568.741 pratos que costumavam fazer parte dos meus almoços ou jantares numa família de cozinheiros.

Mas de vez em quando, sem ter uma data certa ou mesmo um motivo especial, só uma travessa completamente cheia aparecia na mesa, formanda por uma pequena pilha de conchas que minha mãe arrumava com destreza e uma beleza rústica, algo parecido com uma pilha de lenha recém cortada por alguém habilidoso, com um machado bem afiado.

Sem saber o que era, mas sabendo exatamente o gosto que tinha, atacava cada uma daquelas conchas sem dó, retirando com as mãos ou mesmo sorvendo direto dentro da boca, todo o conteúdo quente e úmido que cada uma delas tinha.

Depois aprendi o nome daquilo – Marisco – e da receita que fazia uma terça-feira depois do colégio, virar uma visita a casa dos meus avós em Santos. Só que sem ninguém apertando a suas bochechas, falando o quanto você cresceu ou qualquer uma daquelas pentelhações que rolam quando você tem 9 anos.

Marisco Lambe Lambe

Ingredientes:

– 2 Kg de mariscos limpos com a casca

– 200 gr cebola

– 200 gr de arroz agulhinha

– 4 dentes de alho

– 200 gr de tomate

– 1 litro de água quente

– Azeite de oliva extra virgem a gosto

– Salsinha a gosto

– Sal a gosto

– Pimenta do reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

Comece pela base. É ela que vai dar aquele gosto de “abraço quente de mãe” na receita. Em uma panela grande, aqueça uma boa quantidade de azeite de oliva extra virgem e quando ele ficar bem quente, frite as cebolas cortadas em cubos médios até que fiquem bem douradas.

Em seguida acrescente o tomate, também cortado em cubos médios…

E logo na sequência a salsinha, bem picadinha.

Frite os tomates e a salsinha em fogo alto até que o tomate comece a soltar parte da sua água. Nessa hora, acrecente os mariscos já limpos, ou seja, sem nenhuma das cracas que cobrem a sua casca ou aquele “cabelinho” que sai de dentro da concha, e que serve para fixar o molusco nas pedras do mar.

Logo que você acrescentar os mariscos ao molho, vai reparar que algumas das conchas começam a se abrir na mesma hora, por causa do calor da panela. Calma, isso é normal! Pra garantir que todas elas fiquem assim, dê uma boa mexida com a ajuda de uma colher. Jogue fora as conchas que não abrirem. Nelas, os mariscos já morreram e não devem ser comidos de jeito nenhum!

Como todas as conchas já abertas, acrescente o arroz…

E mais uma vez, dê uma boa misturada. A ideia é fazer com que os grãos de arroz ainda crus entrem dentro das conchas abertas. Você vai entender o porque já já…

Com tudo na panela, junte a água quente até que parte dos mariscos estejam cobertos pelo líquido. É importante ficar ligado na quantidade de líquido, se não, o arroz pode cozinhar demais e virar uma pasta, fazendo com que essa iguaria caiçara vá pra cucuia.

Cozinhe o arroz como aquele arroz velho de guerra que você faz todos os dias – ou pelo menos espero que você faça, de coração – em fogo baixo e com panela tampada, mas deixando só uma frestinha pro excesso de vapor escapar. O tempo de cozimento do arroz pode variar de fogão para fogão, mas em média demora 15 minutos para que ele fique bonitão assim:

Agora é só mandar um azeitinho e correr pro abraço…ô saudade!

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