Batata Frita: Uma outra ideia

Dá pra ser melhor do que já é? Eu pensava que não, até um dia desses.

A idéia pra melhorar veio quando…quando….Na verdade eu não faço a menor idéia. Acho que foram pensamentos separados que ficaram rolando dentro da minha cabeça em mementos diferentes, quicando e rebatendo de lá pra cá, mas que se encontraram no final.

Como uma imagem vale mais que mil palavras (e nesse caso você vai entender por que) é mais fácil eu explicar a coisa toda durante a receita.

Batatas Fritas (uma outra idéia)

- 2 batatas

- 500 ml de óleo de canola ou girassol

- Sal a gosto

- Pimenta do reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

Você vai precisar de só um ingrediente. Batatas inglesas. Não use batatas rosas, pois mesmo sendo melhores pra fritar, são muito duras e você não consegue aplicar a técnica que muda a receita.

Depois, lógico, descasque as ditas.

Com a ajuda de uma faca, corte a batata em palitinhos. Não precisa ficar igual, perfeito, idêntico. É batata frita. Faça o seu melhor e tudo vai ficar bem.

Agora o pulo do gato: finque os dentes do garfo no meio de um dos palitinho de batata e vá, aos poucos, cavando sulcos até chegar o outro lado. Não rompa os lados ou o efeito depois de frito vai por água a baixo.

Tudo pronto? É só mandar elas pro tacho e ver o que acontece.

Frite as batatas no óleo bem quente de canola ou girassol até que fiquem douradas, deixando escorrer por alguns minutos no papel absorvente e temperando com sal e pimenta do reino moída na hora.

A diferença dessa batata frita daquela que você come no boteco do seu coração, é que ela tem duas texturas. O meio é muito crocante, de fazer barulho com a boca fechada, e a borda cremosa, que desmancha na boca.

Você já comeu ________?

Vamos lá. Valendo uma gin tônica e uma massagem com toalha quente na cara.

Você sabe o que é isso?

Quem já levantou o braço e disse “Lagosta!” errou. Mas não por muito, fique tranquilo.

Vamos afastar um pouquinho mais a imagem. Será que agora alguém acerta?

Ainda pensando “mas que p*** é essa?”

Vamos lá, última chance. Aposto que agora você mata.

Pra quem acha que isso não é nem de comer ou resultado de algum despejo ilegal de césio 137 no litoral, apresento o Scyllarides latus, também conhecido aqui no Brasil (pelo menos em São Paulo) como “Sapata”. Esse curioso animal pode ser encontrado no mar mediterrâneo e no oceano atlântico, e como você pode ver, não tem nenhuma garra ou pinça pra chamar de sua. Por isso sai somente a noite das cavernas e pedras que habita para se alimentar de pequenos molúsculos.

Sua carne, apesar de um pouquinho diferente da lagosta, é muito saborosa e delicada, devendo ser cozida com cuidado para não ficar dura e borrachenta. 

Quando for comprá-las prefira aquelas com um aspecto brilhante, que estejam com o corpo firme e cheiro de água do mar. Sapatas, e mesmo crustáceos de uma forma geral, não estão legais quando seus corpos estão moles demais, suas patas ficam dançando no ar e seu cheiro não é dos melhores.

Bom, agora que você sabe tudo sobre esse palatável amigos do mar, seus anseios, medos e aspirações mais íntimos, vamos ao que interessa: como comê-lo.

Peça ao seu peixeiro que corte-os ao meio e tire as entranhas, que ficam na parte de cima da cabeça, nessa região escurecida. Quando chegar em casa, lave as sapatas em água corrente retirando qualquer resto das entranhas e coloque-as dentro de um escorredor de macarrão.

Reserve na geladeira, coberto com um plástico filme

Com as Sapatas prontas pra ir pra panela, se concentre no molho.

Vamos fazer pra acompanhar um “beurre blanc”, um molho clássico da cozinha francesa preparado com vinho branco, vinagre e manteiga. É um dos meus molhos prediletos, com um sabor salgado-ácido que chega ser ofensivo de tão gostoso. Combina muito bem também com peixes de carne branca como linguado ou Garoupa, ou se você for um tarado compulsivo como eu, pode comer mergulhando grandes e esponjentos pedaços de pão fresco nele.

Comece picando 1/2 cebola roxa grande.

E aquecendo uma frigideira com 50 gr de manteiga. Quando a manteiga derreter, frite a cebola nela até que fique macia e translúcida.

Junte então 100 ml de vinho branco de boa qualidade (com champagne também fica ótimo!) 50 ml de vinagre de vinho branco e reduza o fogo ao mínimo possível.

Com a ajuda de uma faca, esmague alguns grãos de pimenta do reino preta para que liberem melhor seu sabor e acrescente-os a cebola com vinho e vinagre.

Depois de 10 minutos em fogo bem baixo, o volume do vinho e do vinagre terão diminuído pela metade, ganhando uma cor levemente rosada por causa da cebola roxa e um perfume que vai preencher cada espaço da sua cozinha. Com a ajuda de uma peneira, separe o líquido da parte sólida, voltando o redução coada para dentro da frigideira.

Agora vem a parte que parece mágica, pura e sincera. Desligue o fogo e acrescente um pedaço de manteiga gelada (mas tem que ser gelada mesmo!) e bata sem parar com a ajuda de um fuet até que a manteiga derreta por completo. O resultado vai ser um molho brilhante, cremoso, aveludado e perfumado que você vai ter vontade de passar na cara de tão bom. Tempere com sal e reserve.

Com o molho pronto, cozinhe rapidamente as Sapatas em um caldeirão com água fervente por 4 minutos. E são 4 minutos mesmo! Você não deve cozinhar muito a carne ou ela ficará borrachenta, tosca e moribunda, algo que ela não é ou merece.

Com a Sapata e o molho na mão, é hora de se esbaldar: banhe a carne branquinha e delicada com o molho ainda quente, preenchendo cada um dos pequenos espaços da casca com ele. Depois, com a ajuda de um garfo, puxe a carne de uma só ver para fora, sorvendo da casca os restos de molho e sucos que o rosáceo filé de carne deixou pra trás.

Será que o pessoal aqui em casa gostou?

Lagostins com Pirão de Farinha D’água

Sempre que vou na feira de domingo, fico olhando pros Lagostins.

Não sei porque, mas mesmo dentro de caixas de isopor e coberto de gelo picado por todos os lados, vejo que eles tem uma cara feliz, como se dissessem “me leva pra casa e me asse na churrasqueira!” ou ”eu e meus camaradas aqui, queremos que você faça uma pilha com nossos corpinhos no seu prato e nos devore com um balde de manteiga de ervas”.

De tanto olhar e ouvir os gritos e pedidos – que só existiam na minha cabeça, não me pergunte porquê – vou direto pra casa com o sacola pingando e abarrotada com uma porção deles, não sabendo de certo ainda, como iria mandá-los pro bucho.

Depois de algumas cervejas e uma investigação minuciosa da dispensa, o resultado foi esse daqui:

Lagostins com Pirão de Farinha D’água

Ingredientes:

1.5 L de água

1 Kg de lagostins frescos

300 gr de farinha d’água (você vai precisar da ajude de alguém que mora no Norte ou do melhor traficante alimentar que conseguir)

1 pimentão vermelho

1 pimentão verde

2 cebolas

2 cenouras

5 dentes de alho

3 talos de cebolinha

3 pimentas de bode

Salsinha fresca a gosto

Coentro fresco a gosto

Azeite extra virgem a gosto

Salsinha fresca a gosto

Sal a gosto

Pimenta do reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

Antes de mandar ver, vamos as apresentações.

Com vocês: O Lagostin

Pesando entre 150 e 300 gramas, o Lagostin é um pequeno crustáceo de água salgada, muito comum nos estados do Nordeste do Brasil, como também no Rio de Janeiro (de onde vieram esses daqui). Possuem uma cor vermelho alaranjada bem forte e longas pinças, sendo essas porém, menores e mais finas do as de uma lagosta. Sua carne tem uma consistência firme e um sabor leve e adocicado, além das cascas, que quando transformadas em caldo dão uma das melhores bases de bisque que se tem notícia.

Agora vamos ao que interessa: A receita

Ataque primeiro os lagostins: Delicadamente, separe a cabeça da calda. Não é preciso muita força ou pressão, basta puxar que ela sai facilmente.

Depois, com a ajuda de uma tesoura de cozinha, corte a parte inferior da calda do lagostin e com muito cuidado, retire lá de dentro a carne do crustáceo. Não se assuste com o tamanho, é pequeno mesmo! Reserve a carne na geladeira, coberta com um plástico filme para que não resseque.

As cascas, como também as cabeças, devem ser reservadas. Com elas vamos fazer o caldo – ou “fundo” no jargão culinário – que vai hidratar o pirão de farinha d’água e garantir que seus convidados queiram esfrega-lo na cara, tamanho o gosto bom.

Com essa parte completa, faça o caldo. Pique grosseiramente uma das cebolas e a cenoura em cubos médios

Aqueça então uma panela com o azeite extra virgem em fogo médio e frite as cebolas até que fiquem translúcidas. Quando chegarem em tal ponto, acrescente as cenouras e mexa de vez em quando, até que ambas fiquem levemente tostadinhas.

Nesse momento, junte as cascas, as cabeças e aumente o fogo até que tudo fique com uma cor laranja-vermelho levemente opaca. Um aroma doce e bem característico de camarão vai perfumar a cozinha toda, quando as cascas estiverem no ponto certo.

Acrescente então a água, os talos de cebolinha e a pimenta de bode as cascas, e deixe cozinhar em fogo brando até que o caldo fique com uma coloração alaranjada. O legal é deixar o caldo cozinhar por umas 2 a 3 horas antes de fazer a receita, então, deixe o fogo bem baixo e vá fazer alguma coisa que você goste. Pode ser qualquer coisa, só esteja de volta na hora certa, por favor.

Pronto! Depois de um filme ou uma caixa de cerveja, você está de volta a batalha.

Parta pra cima dos pimentões, da cebola e do alho, os partindo em cubos pequenos e arrumando em um prato.

Da mesma forma que o caldo, aqueça uma panela com azeite extra virgem e frite a cebola, até que fique translúcida. Junte então o alho e o doure levemente, acrescentando em seguida os pimentões. Reduza então o fogo e cozinhe tudo na própria água que o pimentão vai soltar.

Agora, a farinha d’água

Se você ainda não conseguiu colocar as mãos nessa maravilha, vou te dar uma dica: Descubra alguém que vá para o Pará e peça a farinha de lá, especificamente de uma cidade chamada Bragança, que fica a uns 300 Km de capital, Belém.

A Farinha d’água é chamada assim porque depois de descascada, ela é amolecida de três a quatro dias em água corrente limpa, sendo tal processo feito na região norte, nas águas correntes dos igarapé. Depois, a massa de mandioca é lavada, prensada, passada em uma peneira grossa e torrada lentamente em uma forno de farinha a lenha, o que dá a ela um sabor característico e um textura bastante crocante.

Junte aos poucos a farinha aos pimentões e mexa rapidamente com um garfo, para que não se forme uma grande bola de massa. Você vai ver que ela absorve toda a água da panela na hora, ganhando uma cor amarelada viva.

Agora pare por um instante e prove : Você sente com a língua, como existem alguns grãos que estão macios mas outros permanecem duros? E pra isso que nós fizemos o caldo jovem padawan! Acrescente-o aos poucos, até que tudo ganhe uma consistência firme, porém úmida.

Lembra de todas aquelas caldas do lagostin? Chegou a hora delas!

Tempere-as com sal e pimenta do reino moída na hora, aqueça uma frigideira anti-aderente com um pouco de azeite de oliva extra virgem e as frite rapidamente. Não se preocupe em deixá-las dourada ou coisa do gênero, porque a carne é muito, muito, mas muito sensível. Se você cozinhar demais, ela vai virar uma borracha e ficar uma desgraça. E você não quer isso, quer?

Misture então o carne do lagostin ao pirão e finalize com a salsinha e o coetro bem picados. Daí é só corrigir o sal e acrescentar mais um pouco de caldo pra garantir a textura cremosa.

Nataleta, o Natal Fora de Época

Então tá.

Imagine de novo que você tem mais ou menos uns sete anos, é véspera de natal e não para de chegar gente na sua casa. Mas não para de chegar gente mesmo, vindo nessas seu tio bigodudo e engraçado que você só vê nessa época, até aquela sua prima que a cada ano que passa, fica mais “interessante de ver” digamos assim.

Não imagine os presentes, os penteados ou mesmo os jogos de cabra-cega não tão inocentes, mas sim as panelas, travessas e cumbucas que vinham junto com as visitas, que faziam questão de trazer o que faziam de melhor, ou pelo menos achavam que faziam. Salpicão, Tender, Peru, Lombo, Rabanada, Pavê….A lista não tinha fim. Um sonho.

Imaginou? Agora imagine essa ceia num sábado friorento e mal humorado de Junho.

Meus caros, com vocês a Nataleta!!!!!

A idéia surgiu com um punhado de amigos que inundados das boas lembranças de garfo e faca, mas muitos desgostosos de ter que esperar até Dezembro pra devorá-las, se juntam todos os meses de Junho pra atacar um Tender com abacaxi e arroz com passas.

Pra você que lembra mais de como sua mãe decorava o peru com fios de ovos no natal de 1991, do que se ganhou um pogobol ou não naquela 25 de Dezembro, sugiro que você faça uma. Afinal, o que se tem melhor pra fazer do que juntar os amigos, comer, beber e dar risada?

Uma conversa daqui, alguém que empresta a casa dali e pronto.

Tudo se resolve.

Por Tutatis! Capelettis de Javali!

Aconteceu em uma tarde dessas onde o frio é cruel e você só sente vontade de beber garrafa atrás de garrafa do milagre que escorre pra fora dela, seja ele qual for.

Recebi um telefonema que depois de uma breve conversa, virou um convite para conhecer algo não só singular, mas também pra ter certeza que ainda existem muitas coisas a se descobrir aqui e ali, entre os prédios cinzas da cidade e o céu esfumaçado e brilhante pelas lâmpadas de sódio.

Depois de trabalhar as oito horas que o contrato manda, me enfiei dentro do trem e sacodi um pouco pra cá e pra lá, até chegar no que realmente interessa:

Tá certo, não é nada de comer eu confesso, só mesmo uma porção de livros de arte que não tinha como não abraçar e querer ficar lendo e babando em cima. Mas como pra isso eu ia precisar de um bocado de vinho e tempo, vamos deixar pra outra hora.

O motivo principal de toda essa história é mostrar a vocês, caros leitores glutões, essas belezuras aqui:

Dai você pensa: Capeletti! Grande coisa! Comi ontem na casa da minha avó!

Mas nããããããããããããããããoooooooo!!!! São capelettis de javali meus caros!

A responsável por essas belezas é a minha amiga Adriana Aranha, que os faz na sua casa como todo o esmero e atenção. E sabe qual é a melhor parte? Você pode encomendar a quantidade que quiser, de kg a toneladas, e ela entrega pra você fresquinhos, com a massa recém sovada e o recheio de derreter na boca.

Acompanhei a coisa toda de perto: Como o monte de farinha e ovos virou como mágica uma massa fininha, depois de sovada e passada na máquina de macarrão

Como eram feitos com a maior dos caprichos…

E depois enrolados um a um, como manda o figurino

Precisa dizer mais?

Apesar de contar como a coisa é feita, não vou colocar nenhuma receita por aqui, afinal de contas, se alguém tem todo esse trabalho e amor, nada melhor do que recompensa-la com algum pra que ela possa continuar em frente e você, possa continuar aproveitando essa belezura em casa.

Se você já está pensando “como é que eu descolo isso?”, basta escrever para a Adriana, no adriana@aranha.art.br e fazer o pedido de acordo com a sua fome. O pedido mínimo é de 500 gr (que serve bem duas pessoas) pelo preço de R$ 40.00 reais. Uma bagatela!

Acho que vou fazer os meus com manteiga de sálvia e mel…

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