Tsukiji: Onde Tokyo Compra Peixe

Me lembro da primeira vez que comi alguma coisa que vinha do mar. Chamo de “alguma coisa” porque na época não sabia o que era, e na verdade, não tinha muito interesse em descobrir. Só me importava clomid online nas colheradas que vinham, uma atrás da outra, sempre com muito limão.

Era gelado, meio líquido e tinha um gosto doce de água do mar. Era ouriço. E eu tinha gostado. Muito.

Quem me ofereceu a primeira dose e foi responsável por me deixar viciado desde então nessa deliciosa criatura espinhuda, e em tudo que vem debaixo da água salgada, foi um senhor que eu ficava olhando perto das pedras da praia. Cada dia em um lugar diferente, ele andava de lá pra cá usando só uma espátula e muita habilidade pra tirar o bicho pra fora da toca, entre uma onda e outra. Depois era só sentar na pedra, abrir a casca, temperar com limão e mandar pra dentro. Um houvre d’oeuvres sempre a mão, pra que tivesse disposição e soubesse o que estava fazendo.

Dai pra frente a coisa só tomou uma proporção maior. Fui passando a devorar dúzias de ostras e mariscos lambe-lambre, recheados de arroz, salsinha e alho, martelando e abrindo caminho entre cascas de caranguejos ensopados ou me aventurando em um prato de Fugu, dessa vez já bem crescidinho. Com o tempo, passei até a preferir peixe do que carne vermelha. Só não consegui gostar mais do que porco. Ai é sacanagem.

Também comecei a gostar muito de ir comprar peixe, conhecer sua personalidade, características e também a conversar com que trabalha com ele, todos os dias. Foi no meio de uma conversa dessas que me contaram sobre um leilão de atuns que acontece no Japão. Fuçando um pouco atrás desse história, acabei descobrindo o Tsukiji, o maior mercado de pescados do mundo, e que por incrível que pareça, fica espremido em um cantinho de Tokyo.

Pra ter uma noção de como o mercado funciona, seus horários obscenos de trabalho, ver um leilão de atum ou mesmo um peixeiro cortar um atum usando uma espada (sem sacanagem nenhuma), só dar uma olhada no vídeo.

Uma observação: Reparem como tudo é imaculadamente limpo e organizado, a ponto de você poder almoçar no chão.

Será que um dia a gente chega lá?

Grande Hotel-São Pedro: o bom filho a casa torna

Do banco de trás do carro, tudo que dá pra ver é a linha do meio da estrada iluminada pelos faróis, serpenteando curva atrás de curva. Pela janela não vejo nada, só mesmo sombras de muitas árvores passando e alguns carros, que vem no sentido contrário. Não sinto sono, nem preguiça, mesmo já sendo madrugada. Só a vontade de ver a entrada da cidade com a placa, que por alguns anos me foi tão natural: Bem-vindo a Águas de São Pedro.

Não sei se vocês sabem, mas a alguns anos atrás me formei cozinheiro na faculdade de Gastronomia do Senac, que fica nessa pequena cidade do interior paulista. Passei lá dois anos da minha vida que nunca vou esquecer, tanto pelos professores que escancararam um mundo que eu não fazia ideia que existia, e que mergulhei de cabeça, como pelos amigos que fiz e levo comigo até hoje. Companheiros de máfia, piratas do mesmo barco.

E claro que o motivo pra voltar não podia ser diferente. Fui conhecer o trabalho de um cozinheiro que foi trabalhando, crescendo, cozinhando e depois de encostar o umbigo no fogão por um bom tempo, se tornou o Chef do Grande Hotel São Pedro: Jorge da Hora.

Esse baiano de 31 anos, fala mansa e sorriso largo tem uma história de vida incrível. Quem conta é ele, nessa entrevista pro Chef-à-Porter:

Qual foi seu primeiro contato com a cozinha?

Meu primeiro contato com a cozinha foi em casa. Sempre observei minha avó cozinhado e quando ela permitia, sempre ajudava. O bacana era saber a origem de onde vinham os alimentos. Íamos às feiras populares, principalmente a Feira de Águas de Meninos, em Salvador, uma feira maravilhosa, onde encontrávamos aromas e produtos ímpares e pessoas de com várias percepções de vida.

Quando você soube que queria ser um cozinheiro? 

Sempre quis servir as Forças Armadas. Em 1998 fui ao Senac Pelourinho-BA onde fiz o meu primeiro curso diretamente ligado a gastronomia, isso justificado pela vontade de servir ao Exercito Brasileiro. Para a minha surpresa, fui convocado a servir no ano de 1999, sendo que o fator determinante da convocação  foi ter a qualificação em gastronomia pelo Senac.

Depois do exército, trabalhei no Mosteiro de São Bento da Bahia e em alguns buffets locais. Pouco tempo depois assumi as cozinhas das Plataformas da Petrobrás do Nordeste, até sair para traçar um rumo de estudo. Nesse momento vim para São Paulo fazer o curso de Cozinheiro Chefe Internacional e a Formação de Sommelier.

Pouco tempo depois, para minha surpresa, fui convidado a assumir o Restaurante de Alunos e Funcionários do Centro Universitário Senac. Na sequência resolvi fazer o curso de Tecnologia em Hotelaria e aproveitando mais uma oportunidade oferecida pelo Senac, me tornei professor dos cursos livres e futuramente dos cursos de Graduação.

Há alguns meses assumi a cozinha do Grande Hotel São Pedro, onde venho colocando todos os conhecimento adquiridos no decorrer de todas essas experiências.

O que lhe inspira? Qual seu processo criativo para a criação dos pratos?

Tenho sempre como inspiração o prazer em contextualizar comida e cultura. Levo em consideração vários elementos para criar um prato. Valorização de culturas e ingredientes regionais, cores e texturas são alguns dos fatores que me ajudam no processo criativo.

E foi isso mesmo que provei no jantar que aconteceu no restaurante Engenho das Águas, que fica dentro do Grande Hotel São Pedro e é comandado pelo chef. Entre os oito pratos da noite, aqueles que eu faria algo desonesto, sujo e buy clomid ardiloso pra comer de novo de tão bom são:

Risoto de camarões ao perfume de laranja e castanha de caju: O arroz estava no ponto, bem cremoso e todos os sabores apareciam em camadas. Primeiro a laranja, depois a castanha de caju e por último as sementes de coentro, que explodiam na boca. Além do camarão, que estava bem macio e com uma cor linda.

Ravióli de abóbora com carne seca na manteiga, passas e macadâmia: A massa era fininha como véu e se desmanchava na boca. O recheio também não ficava atrás. A carne seca aparecia desfiada bem fininha, acompanhada pelo creme de abóbora. Já o molho de manteiga, passas e macadâmias estava bom, mas acho que ficaria uma buy priligy brincadeira mais divertida se no lugar das passas e macadâmias entrasse a castanha de baru.

Cheesecake tropical com manga, maracujá e sorvete de goiaba com pistache: são quatro sobremesas pequenas, lindas e que combinam com harmonia. O chocolate da base do cheesecake anda de mãos dadas com o maracujá, a manga e o sorvete de goiaba, que estava bem cremoso e contrastava com o praliné de pistache que estava debaixo dele. Um despautério.

No final, fiz a única coisa que cabia: aplaudi de pé, agradeci o chef e todos os cozinheiros que prepararam algo tão especial e voltei pro quarto feliz.

A cozinha do Grande Hotel São Pedro, estava de fato, em boas mãos.

Belém – Ainda no dia III – Tacacá no Final da Tarde + Sorveteria Cairu

Depois do momó (consulte a gíria local de Belém pra saber o que é) do almoço no Remanso do Peixe, não tive outra saída se não ir pra casa, me atirar na cama e babar de dormir por longas horas. No meio do sono – daqueles que o corpo pesa uma tonelada, mas você se sente flutuando por aí, me acordaram pra – lógico – ir comer uma das coisas pelas quais Belém é conhecida: Tacacá

Em um pulo me pus pronto, ventindo a camisa e calçando os chinelos ao mesmo tempo, indo de encontro com o fumegante caldo. Pra quem não sabe, o Tacacá serve pra  – pasmem – diminuir o calor dos quentes e cotidianos dias belenhenses. No dia em que fui tomar o quitute, a temperatura estava na casa dos agradáveis 33 graus, com uma umidade de cortar com a faca.

Feito buy propecia com tucupi – aquele líquido de cor amarelo vivo extraído da mandioca, lembra? -  e guarnecido com jambu, chicória-do-pará, camarão seco e goma de tapioca, é um dos pratos mais tradicionais da cozinha paraense, sendo consumido diariamente.

Se você está pensando “mas nem a pau que eu vou tomar uma caldo fervendo nesse calor”, fique sabendo meu caro que esse é um artifício buy levitra muito do bom pra aliviar aqueles dias onde o melhor lugar do mundo parece ser dentro da geladeira. Tomando um líquido quente – água, caldo, sopa, lava, enfim – você eleva a temperatura do seu corpo e a equipara com a do ambiente externo, ou trocando em miudos, você para de transpirar e de ter aquela sensação de que vai morrer.

Com uma cor amarelo viva e guarnecido com todas aquelas coisas que descrevi acima, o caldo vem de pelar o seu da boca dentro de uma cabaça indígena, apoiado em uma cesta de vime trançado para que você não queime as mãos.

É tão quente, mas tão quente, mas tão quente, que no começo você não consegue beber direto da gamela. Então ataquei usando um palito de madeira, comendo primeiro as guarnições do caldo.

Com a coisa mais calma, consegui atacar aos goles, sorvendo direto pra dentro.

Vou fala que no começo não é fácil tomar algo muito quente em um ambiente que só dá vontade de suco geladinho e caipirinha de Cupuaçu – minha preferida – mas com o tempo, você começa a se sentir melhor e o calor fica bem mais ameno. Tanto que você para até de transpirar, coisa que eu pensei ser impossível naquelas terras. É a cultura popular em ação!

Enquanto tomava o Tacacá, vi uma vitrine com alguns salgados que de tão bonitos, propecia online fui dar uma olhada mais de perto. Acabei descobrindo alguns sabores um tanto inusitados, além daqueles que já tinha visto por aí…

Você já viu algum pastel de forno de Pirarucu com Jambu?

Ou quem sabe de Pato com Jambu?

Achei a idéia tão diferente que comprei cada um dos quatro sabores pra provar e vou dizer, se alguém tiver essa idéia por aqui vai ter muita gente deixando de comer esses salgados prontos de boteco que são de dar pena.

Terminado o Tacacá, era hora de atacar alguma coisa pra rebater a fumegante iguaria. Acabei indo na mais tradicional sorveteria da cidade chamada Cairu, que tem sabores um pouco diferentes daqueles que você já viu.

Fabricando cada um dos sabores que vende – e são mais de 50 – a sorveteria explora as excepcionais frutas amazônicas, oferecendo das mais conhecidas, até aquelas que parecem nome de remédio.

Pra não perder o costume, como você já deve ter visto por aqui, pedi um de Taperebá o qual a base era de água. Isso fazia com que a massa ficasse muito mais leve e o gosto e perfume da milf porn fruta mais pronunciados, além de ressaltar a cor amarelo “olha pra mim, eu estou aqui”

E foi isso. Só restava ver o final da tarde com as mangueiras balançando pelo vento e dizer tchau pra Belém do Pará, um dos lugares mais incríveis, gostosos, cheirosos e ricos que eu já vivi.

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