Quando eu era pequeno, eu comia: Recorte

Acho que o recorte já faz parte da sua vida a muito tempo.

Pelo menos da minha, ele já fazia antes mesmo de eu saber que ele se chamava recorte. Antes até, de me tornar cozinheiro ou começar a me interessar por cozinha.

Na época em que não sabia cozinhar nada, ele funcionava como uma bóia salva vidas, uma garantia que você podia ter uma refeição quente, decente e gostosa pra caralho, mesmo que não fizesse a mínima idéia de como preparar qualquer coisa.

Exemplo? Arroz e feijão juntos na panela. Quando ficavam bem quentinhos, juntava dois ovos e um punhado de salsinha. Mexia bem até os ovos ficarem mexidos e pronto! Algo desforme, sem nome próprio e com uma aparência duvidosa, mas que tinha o melhor gosto do mundo!

E por aí vai: Molho de macarrão com carne do churrasco, fritada de macarrão (bizarro, mas maravilhoso), arroz de forno, com combinações infinitas….a lista é sem fim.

Hoje em dia, depois de quase 10 anos esquentando a barriga no fogão e aprendendo de tudo um pouco, continuo fiel amigo do recorte. Só não vale chamar esse ícone da resistência gastronômica de “dirt rice” como já vi escrito em diversos lugares pela cidade. 

Gente, por favor, vamos ter orgulho! Nada de transvestir o pobre coitado com um nome “bonitinho”!

Afinal, duvido que na gringa se consiga reproduzir esse prato, que junta o que de mais gostoso a nossa cozinha tem, em uma panela só!

 

Recorte: Leitoa assada, cebolas caramelizadas, arroz e salsinha

Ingredientes:

– 4 cebolas grandes

– 50 gr de manteiga

– 50 gr de açúcar

– 400 gr de leitoa assada (ou qualquer outra carne de porco desfiada que você tiver)

– 200 gr de arroz branco cozido (o melhor é o que dormiu na geladeira, de um dia pro outro)

propecia online 1/2 maço de salsinha fresca

– Pimenta do reino preta moída na hora a gosto

– Sal a gosto

 

Modo de preparo:

A única parte desse recorte que dá algum trabalho, são as cebolas caramelizadas. Mas também é algo bem simples, que você pode fazer enquanto bebe alguma coisa ou joga conversa fora.

Comece descascando e cortando as cebolas em fatias finas

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E colocando todas elas em uma panela média, ainda fria. Só com as buy clomid online cebolas lá dentro, você deve aquecer a panela em fogo alto

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Depois de uns 15 minutos, as cebolas vão começar a pegar uma cor. Esse é o momento de acrescentar a manteiga, o açúcar e temperar com uma pitada pequena de sal. Esses três ingredientes vão fazer a cebola soltar muita água, por isso, não se assuste se a panela ficar uma piscina, é absolutamente normal. Na verdade, nós queremos isso!

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Continue cozinhando a cebola em fogo alto e mexendo de vez em quando, até que toda a água tenha secado e as cebolas tenham ganhado uma leve cor caramelo.

Chegando nesse estágio, é hora do pulo do gato!

Seguinte: Pra fazer as cebolas ficarem cada vez mais escuras e caramelizadas, aquela derretência linda de se ver, basta continuar fritando em fogo alto, mexendo de vez em quando. O que nós queremos nessa hora é que parte do açúcar natural da cebola, devido ao alto calor, vire caramelo e grude ao fundo da panela, formando aquela “sujeirinha” cheia de clomid online sabor e cor.

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Quando isso acontecer, junte um pouco de água, suficiente pra soltar toda a “sujeira” da panela. Use a colher pra derreter todo o caramelo e garantir que ele se grude a cebola, dando a ela uma cor linda de morrer.

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Cada vez que você repetir o processo, a cebola vai ficar mais escura.

Continue caramelizando…

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Até a cebola ficar com cor de chocolate.

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Daí é juntar a carne da leitoa assada e desfiada…

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Mexer bem, pra misturar com as cebolas…

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Acrescentar na sequência o arroz branco…

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E terminar com a salsinha. Tempere com sal e pimenta do reino preta moída na hora e mais nada.

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Na hora de servir, junte uma mão cheia de cebolinha fresca cortada na hora e uma fatia de limão, para ser espremido em cima do arroz ainda quente.

O resultado é um arroz molhadinho pelo suco quente e levemente ácido do limão, que anda de braços dados com todo o sabor e untuosidade da carne de porco. De pano de fundo, o caramelo de cebolas e o frescor da cebolinha. Coisa linda de Deus.

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E você, o que tem na geladeira?

O Festim dos Rigueirais – Parte II

Continuando…

Depois de cozinhar todas as carnes escorra o caldo do cozimento em outra panela. Reserve as carnes na panela onde foram cozidas com ela tampada, já que sem o líquido sua tendência em ressecar é maior. O caldo vai ser usado pra cozinhar os vegetais, garantindo mais sabor ao puchero.

Olha o caldo aí!

Quando você começar a cozinhar, deve seguir uma regra de ouro meu caro: Todos os vegetais devem ser cozidos até o meio do seu ponto. Pode parecer bobagem, mas faz toda diferença. Se você cozer até que eles estejam no ponto correto, mesmo fora do caldo eles vão continuar cozinhando e ficarão moles e opacos. Se você deixar no meio do ponto, quando eles voltarem pro caldeirão vão ficar com as cores e texturas corretas.

O processo de cozimento deve ser feito de forma lenta e com cuidado, nada de pressa. Se você tiver pressa todo o esforço feito lá trás não vai valer de nada. Vai ficar bom, mas não aquele “bom” que faz você viajar de volta a infância. Vá com calma, aprecie o processo.

Comece pelas cenouras

As cenouras...

Depois a abóbora

A abóbora...

As abobrinhas

As abobrinhas

O repolho

O repolho

A couve, em folhas inteiras

A couve

E por último, – ufa! – as buy priligy online cebolas…

As cebolas

Volte então o caldo e todos os vegetais cozidos à panela das carnes e deixe cozinhar em fogo lento até que tudo esteja macio, mas não se desfazendo.

O acompanhamento perfeito pra mim é arroz de açafrão e uma piscina de azeite…

O prato perfeito

E uma família que eu amo mais do que cozinhar.

Eles são todos malucos, mas eu amo cada um

O Festim dos Rigueirais – Parte I

“Então, o pessoal do Rio e do sul vem pra cá no final de semana, você tá livre dia 28?”

Foi assim que meu pai avisou de mais uma reunião de família. Sempre que os Rigueirais planejam se encontrar eu já começo a me coçar. Não por pensar em como vou me livrar daquela tia chata que você vê a cada mil anos e que sempre pergunta as mesmas coisas sacais de responder, mas sim por uma nuvem deliciosa de agitação e risada acompanhada pela promessa de muitas coisas gostosas e jarras de caipirinha.

Nessas datas sempre combino com meu pai de preparar algo bacana ou alguma coisa que requer mais atenção e cuidado como defumar ou assar um buy levitra online cabrito no forno de pedra que ele construiu no quintal. Dessa vez fui surpreendido por um “não, eu já sei o que vou fazer”, o que dava a idéia que algum prato incomodava o seu inconsciente gastronômico.

Dia 28 – um sábado de tanto sol que transbordava pelo céu – apareci como combinado e já fui chegando na boca do fogão onde o velho se concentrava e brandia facas e colheres de pau. Sobre a mesa muitos ingredientes, mas não consegui fazer nenhuma ligação entre eles e descobrir do que se tratava. Linguiça, carne de frango, carne de vaca, grão-de-bico, cebola, cenoura, repolho, abóbora, abobrinha, couve e  ocupavam o grande balcão de madeira que temos e as voltas com isso tudo, o velho.                                            “O que vou Vou fazer é o puchero que seu bisavó costumava fazer quando eu era criança, com todo inteiro ou rasgado”. Pronto, era o que eu precisava ouvir. Comida ancestral de família, de comer pensando em quem já se foi mais deixou um legado, um tesouro pra ser aproveitado entre os que ficaram.

Ofereci ajuda, mas ele recusou. Não insisti pois imaginei que aquilo seria como um regressão a infância, uma volta a cozinha e a comida da vó por ele. Só aparecia de vez em quando pra ver em que pé andavam as coisas.

O que foi para a panela primeiro foram as carnes. Em um caldeirão foram cozidos as carnes de frango e as lingüiças de forma lenta…

Primeiro o frango e as linguiças...

Em seguida o grão de milf porn bico foi somado e deixado cozinhando lentamente até que ficasse macio. Não tem um tempo muito certo, mas como sempre digo, o exercício da observação é sempre recomendável. Vá provando de tempos em tempos até que esteja no ponto.

Tem que ter paciência...

A carne de vaca – que nesse caso é músculo – deve ser cozida com a ajuda de uma panela de pressão por uns 40 minutos até que esteja macia.

Na Pressão!

E depois somada com as outras carnes.

Todos Juntos!

Como o putchero não foi feito em um dia, vou deixar o resto pra amanhã. Quem sabe até lá, você já não chegou até aqui?

Receitas — Tags:, , , , , , , , , , , , , — Gustavo @ 10 de dezembro de 2009
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