Com a gema mole ou dura?

Outro dia aqui em casa resolvi fazer uns daqueles sanduíches gigantes, com o pão bem tostadinho e uma quantidade imensa de coisas entre dele. Lembro que coloquei um pouco de queijo, agrião, um restinho de pastrami e mostarda dijon, mas o que deu aquele cara de sanduba destruidor foi o ovo frito.

Não importa onde você esteja e o quão tosca seja a sua cozinha, sempre dá pra fazer um ovo frito, o que o se torna a refeição principal daqueles que morrem de preguiça de cozinhar, dos solteiros e repúblicas estudantis (inclusive a minha, que era de gastronomia ainda).

Vou passar aqui as instruções para um ovo frito correto, com a clara bem branquinha e firme, fundo tostadinho e a gema bem molinha.

Comece aquecendo uma frigideira pequena em fogo alto com uma colher de chá de manteiga. Espere que a manteiga derreta completamente e então quebre o ovo sobre ela, abaixando então o fogo. Tempere o ovo com uma pitada de sal e pimenta do reino moída na hora.

Agora a parte do truque. Não fique cutucando o ovo com a espátula ou mexendo a frigideira durante o processo. Deixe que o ovo cozinhe tranquilamente, sem pressa ou afobação.

Fique atento a clara do ovo. Quando ela estiver completamente branca e firme cheque a parte de baixo para ver se ela está tostadinha. Se não estiver, espere mais alguns minutos até que ela fique douradinha e crocante.

Caso você goste da gema bem durinha (como é o caso do meu primo Samuel, que tinha discussões calorosas com a minha avó sobre o tema), deixe que o ovo frite o tempo todo no fogo alto ou vire o ovo durante o processo, o que na minha opinião, é um pecado.

Como você gosta do seu?

Moça bonita não paga mas também não leva

“Não se faz boa comida com ingredientes ruins”. Acho que essa foi umas das primeiras coisas que aprendi desde que resolvi me aventurar pelo mundo das caçarolas. Precisa custar uma fortuna? Claro que não! Existe um lugar onde você pode encontrar tudo recém colhido, por um preço bastante razoável e ainda podendo pechinchar: A feira.

Feiras são coisas maravilhosas…Frutas pra provar a vontade, uma variedade incrível de ingredientes recém tirados da terra e gritos, muitos gritos. Não dá pra esquecer também o tradicional pastel e caldo de cana geladinho (o meu prefiro com limão) no final das compras.

Vou dar a dica aqui de duas feiras que costumo freqüentar, mas antes, é importante ter algumas coisas na cabeça antes de se jogar por lá:

– Faça uma lista de compras! Isso evita que você compre a feira toda.

– Nunca compre na primeira barraca em que você parar, não importa se eles tenham o que você queira e tenha a melhor cara do mundo. Ande pela feira toda olhando a qualidade e os preços. Sempre faço um esquema de “vai-e-volta”. Vou caminhando e comparando os produtos nas barracas e volto comprando aquilo que me interessa.

– Pechinche! Se você for a uma feira e não fizer isso, não existe motivo pra ir lá.

– Não seja ganho no grito por nenhum feirante! Nunca! Jamais! Eles não querem te oferecer o melhor, eles só querem o seu dinheiro.

– Coma um pastel e um caldo de cana ao sair da feira.

Lembrando sempre desses mandamentos, você estará salvo.

Agora as feiras: A primeira que merece destaque fica no bairro da Bela Vista aqui em São Paulo, na rua Herculano de Freitas, a segunda travessa a esquerda da rua Peixoto Gomide. Acontece todas as quintas-feiras a partir das 4 horas da manhã, indo até as 2 da tarde. Berinjela, abobrinha, cenoura…tem o que toda a feira tem e com uma qualidade muito boa. O que se destaca por lá na verdade são os peixes e os doces de uma barraquinha.

Na barraca dos peixes (que fica escondida láááááá no final da feira) dá pra encontrar uma quantidade grande de peixes sempre fresquíssimos. Pargo, Saint Pierre, Cavalinha, Tainha, Arraia…a variedade e grande e sempre com um atendimento atencioso, que não fica gritando na sua orelha ou tenta te empurrar o que não está vendendo bem.

Além dos peixes dá pra encontrar vôngoles, ostras (não é sempre, mas elas aparecem) e os meus prediletos, lagostins de água doce. Esse crustáceo pequeno, de cor vermelho-alaranjada, carne suave e macia é maravilhoso com manteiga de ervas ou em papilote com vinho branco e algumas raspas de limão, assados na churrasqueira. Vale aqui a dica.

Lagostins

Antes dos peixes fica uma outra barraca que lembra infância, pelo menos a minha. Goiabadas, bananadas (que disputava a tapa com meu avô), rapaduras e aqueles doces de mocotó todos coloridos fazem a festa de quem quer relembrar os tempos de criança na casa da vó e não tem medo de se lambuzar até o nariz.

Goiabada, Rapadura e Doce de Mocotó

A outra feira acontece na rua Barão de Capanema, que é paralela a rua Oscar Freire a partir da rua Padre João Manoel nos Jardins. Acontece também todas as quintas-feiras das 4 da manhã até as 2 da tarde.

O que chama a atenção por lá e a já tradicional “Barraca do Índio”, que fica bem na entrada da feira. Pra quem vê pela primeira vez a quantidade de temperos impressiona (são mais de 50 que contei) e o próprio Índio aconselha você na compra daquilo que vai melhor com o que você quer preparar. Um do frequentadores mais famosos da barraca é o estrelado chef paulistano Alex Atala, que compra por alí  mesmo os temperos que precisa para o seu restaurante D.O.M, que fica na mesma rua da feira.

Barraca do Índio

A prefeitura tem disponível uma relação de todas as feiras livres registradas da cidade. Caso você fique com preguiça, é só procurar aqui aquela mais perto da sua casa.

Agora já pra cozinha!

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