O Festim dos Rigueirais – Parte I

“Então, o pessoal do Rio e do sul vem pra cá no final de semana, você tá livre dia 28?”

Foi assim que meu pai avisou de mais uma reunião de família. Sempre que os Rigueirais planejam se encontrar eu já começo a me coçar. Não por pensar em como vou me livrar daquela tia chata que você vê a cada mil anos e que sempre pergunta as mesmas coisas sacais de responder, mas sim por uma nuvem deliciosa de agitação e risada acompanhada pela promessa de muitas coisas gostosas e jarras de caipirinha.

Nessas datas sempre combino com meu pai de preparar algo bacana ou alguma coisa que requer mais atenção e cuidado como defumar ou assar um cabrito no forno de pedra que ele construiu no quintal. Dessa vez fui surpreendido por um “não, eu já sei o que vou fazer”, o que dava a idéia que algum prato incomodava o seu inconsciente gastronômico.

Dia 28 – um sábado de tanto sol que transbordava pelo céu – apareci como combinado e já fui chegando na boca do fogão onde o velho se concentrava e brandia facas e colheres de pau. Sobre a mesa muitos ingredientes, mas não consegui fazer nenhuma ligação entre eles e descobrir do que se tratava. Linguiça, carne de frango, carne de vaca, grão-de-bico, cebola, cenoura, repolho, abóbora, abobrinha, couve e  ocupavam o grande balcão de madeira que temos e as voltas com isso tudo, o velho.                                            “O que vou Vou fazer é o puchero que seu bisavó costumava fazer quando eu era criança, com todo inteiro ou rasgado”. Pronto, era o que eu precisava ouvir. Comida ancestral de família, de comer pensando em quem já se foi mais deixou um legado, um tesouro pra ser aproveitado entre os que ficaram.

Ofereci ajuda, mas ele recusou. Não insisti pois imaginei que aquilo seria como um regressão a infância, uma volta a cozinha e a comida da vó por ele. Só aparecia de vez em quando pra ver em que pé andavam as coisas.

O que foi para a panela primeiro foram as carnes. Em um caldeirão foram cozidos as carnes de frango e as lingüiças de forma lenta…

Primeiro o frango e as linguiças...

Em seguida o grão de bico foi somado e deixado cozinhando lentamente até que ficasse macio. Não tem um tempo muito certo, mas como sempre digo, o exercício da observação é sempre recomendável. Vá provando de tempos em tempos até que esteja no ponto.

Tem que ter paciência...

A carne de vaca – que nesse caso é músculo – deve ser cozida com a ajuda de uma panela de pressão por uns 40 minutos até que esteja macia.

Na Pressão!

E depois somada com as outras carnes.

Todos Juntos!

Como o putchero não foi feito em um dia, vou deixar o resto pra amanhã. Quem sabe até lá, você já não chegou até aqui?

Receitas — Tags:, , , , , , , , , , , , , — Gustavo @ 10 de dezembro de 2009
« Página anterior
chefaporter.com.br | powered by WordPress with Grace Comunicação