Crème brûlée! ou “Porquê você deve ter um maçarico em casa”

É isso aí! Você deve, precisa, tem que ter no conforto do seu lar, um maçarico. E porquê? Bom, pra responder essa pergunta nós vamos ter que voltar no tempo a algumas semanas atrás, quando reencontrei por acaso esse maravilhoso brinquedo de gente grande.

Estava eu andando pela liberdade em uma tarde de sábado, logo depois de me esbaldar de ouriços do mar e sake, quando passando por uma loja, vi uma porção de bocais pendurados na parede. Fiquei curioso e entrei, perguntando ao vendedor, um simpático senhor japonês, o que era aquela estranha peça.

A resposta veio com uma demonstração: Rapidamente, ele acoplou o bocal a uma lata de gás e acionou o botão da que ficava na parte de trás, fazendo a pequena peça de metal cuspir um mar de fogo: Era um maçarico, e por sinal, um dos mais fortes que já tinha visto.

Levei dois pra casa, e logo que pus os pés nela, comecei a experimentar quais ingredientes, sob uma chuva de fogo fuderosa, ficariam mais interessantes.

Os três melhores resultados foram:

Queijo: Seja com qualquer queijo, de qualquer lugar do mundo, o resultado é sempre incrível. O queijo, além de cremoso e quente, desenvolve novos aromas e sabores, além de fazer uma casquinha crocante que é de se apaixonar.

Quem foi na Feirinha Gastronômica da Vila Madalena no dia 14/04, pode me ver por lá tostando o queijo de cada um dos sanduíches de pernil vendidos.  O resultado? O queijo ficou derretidinho, no ponto certo, com uma cor dourada de morrer.

Chocolate: Quer comer uma barra de chocolate de um jeito diferente? Seguinte: Compre a sua barra de chocolate favorita (eu fiz com Snickers) e a coloque em um prato. Em seguida, toste o chocolate com o maçarico por 30 segundos até que ele comece a derreter, colocando-o nessa hora no freezer por mais 30 segundos. O resultado? Uma doce com três texturas: Casquinha crocante, chocolate cremoso no meio e o recheio ainda firme no centro.

Também dá pra aplicar a mesma técnica, sobre uma fatia da torta de chocolate que o Chef à Porter vende através da sua fan page, no Facebook. Para comprar a sua, é só clicar aqui.

Açúcar: Mais versátil entre todos os ingredientes, o açúcar pode ser usado na forma de um cobertura que você faz na hora, salpicando açúcar sobre o alimento e  usando o maçarico para caramelizar esse açúcar. O resultado é uma casquinha dourada e crocante, que quando estilhaçada em pequenos pedaços, dá ao prato um gostoso sabor de caramelo.

Exemplo?

Que exemplo é melhor que Crème brûlée?

É tão gostoso, que é uma puta sacanagem não passar a receita.

Crème Brûlée

Ingredientes:

– 300 ml de leite integral

– 300 ml de creme de leite fresco

– 2 favas de baunilha

– 70 gr de açúcar

– 6 gemas

Modo de Preparo:

O melhor do crème brûlée é que além de fazer virar os olhos de tão gostoso, é muito fácil de fazer.

Comece pela baunilha, que pra você que não sabe, é a vagem de uma orquídea.

Corte-a em dois, no sentido do comprimento…

E com a ajuda de uma pequena faca, raspe todas as sementes que estão no interior da baunilha. É muito importante que você retire todas as pequenas sementes, pois são elas que vão dar aroma e sabor ao doce.

Feito isso, coloque as sementes e a fava da baunilha junto com o leite integral, o creme de leite fresco e o açúcar. Aqueça a mistura em fogo baixo, mas não deixe que ferva (sério!) ou quando você colocar os ovos, vai ter uma porção de ovos mexidos boiando no leite.

Enquanto o leite esquenta, ataque as gemas. Coloque-as em uma tigela…

E as bata vigorosamente, até que tripliquem de tamanho e fiquem bem fofas e leves. Esse é o principal pulo do gato da receita, pois se as gemas não ficarem bem batidas, a sobremesa vai ter com um gosto de ovo muito forte, que vai passar por cima da baunilha.

Feito isso, é só alegria.

Lembra do leite com baunilha? A essa altura ele já deve estar morno. Com a ajuda de uma peneira, coe a mistura e acrescente as gemas, mexendo constantemente até que todos os ingredientes fiquem perfeitamente combinados

Feito isso, basta colocar a massa em ramequins (dica! A massa assar melhor nos ramequins pequenos!)

E todos os ramequins em uma assadeira média um pouco funda (um tabuleiro de bolo cumpre bem a tarefa)

Asse o crème brûlée em banho maria à 120 graus, por 25 minutos, ou até que a massa fique firme. Nesse ponto, retire a assadeira do forno e deixe esfriar até a temperatura ambiente. Daí, basta colocar os ramequins na geladeira e esperar até que fiquem geladinhos.

Se você fizer tudo certo, como eu tenho certeza absoluta que você vai fazer, o resultado é esse aqui: Um pudim dos céus, amarelinho e perfumado, cheio de pintinhas pretas de baunilha e pronto pra receber a tradicional casquinha de caramelo.

Pra fazer isso, baste salpicar um pouco de açúcar…

E aos poucos, com a ajuda do maçarico, ir derretendo e caramelizando o açúcar até que ele ganhe um cor dourada e viva.

Sei que você deve estar pensando “Há tá! Até parece que eu vou conseguir fazer isso, sem deixar o açúcar igual carvão!”, mas a minha resposta é “É claro que você vai conseguir!”. Tá certo, no começo você vai chamuscar a sobremesa aqui e ali, mas depois que fazer umas três ou quatro vezes, vai ver que é mamão com açúcar.

O resultado, como já mostrei pra vocês, é um caramelo crocante, que se quebra em mil pedacinhos quando partido com a colher.

Sobre o maçarico: Você pode comprar o seu na loja Kioto, que fica na Rua Galvão Bueno, 51, na Liberdade. O preço é R$ 75,00 (meio caro, mas dura uma vida inteira) e a lata de gás R$ 4,00 (também dura um tempão). Garanto a vocês, vale a pena cada centavo que você paga.

A Primeira Harmonização de Chá com Quitutes Que Se Tem Notícia – Parte I

- Ela tem um blog de chás.

– Como assim? Ela fala só sobre chá?

– Isso, é uma coisa que você precisa conhecer. Ela caça e vai atrás de todo tipo de chá e fica provando em casa. Mas é daqueles soltinho, não do de saquinho que você compra pronto.

Nunca pensei que alguém já tivesse tido essa idéia, mas por sorte e graças a são Benedito, ela já tinha brotado na cabeça de alguém.

Dias mais tarde, com o endereço do blog fiquei conhecendo o incrível Rota do Chá, que falava tudo sobre infusões e detalhes bastante específicos da bebida preferida dos chineses. Lia, lia, lia…Quanto mais eu lia, mais eu pensava em qual tipo de quitute (bolinho, torta, biscoito) combinava melhor com os chás, até que me veio a idéia: Eu nunca vi uma harmonização de chá das 5, porque não fazer uma? Escrevi pra Hanny – a dona e mestre no assunto – e propus a idéia, que foi abraçada de primeira. Chamei as amigas Leonora de Mauro do Foie Gras Literário e a Larissa Januário do Sem Medida pra darem uma mão nas receitas que íamos preparar e devorar. Claro, porque mandar pra dentro um chá das cinco completo de uma só vez requer, além de um apetite de refugiado, boa companhia e muitas risadas.

Fizemos no total seis quitutes – que não vou falar quais são – harmonizamos com seis chás – que não vou falar também quais são – e reunimos tudo numa fria e cinzenta tarde de domingo. Nas próximas semanas você confere aqui no Chef-à-Porter e no blogs das geniosas meninas acima, como foi o nosso encontro e claro, o que acharam da comilança.

Uma das harmonizações que fizemos nesse dia foi uma broa de fubá caseira, que ficou muito bem acompanhado pelo incrível Lapsang Souchong, um chá preto chinês defumado, muito aromático e com um bouquet incrível de madeira tostada e chocolate.

Broa de Fubá
Ingredientes:

– 500 gr de farinha de trigo

– 250 ml de água

– 40 de fermento biológico

– 10 gr de sal

– 75 gr de açúcar

– 25 gr de manteiga em temperatura ambiente

– 2 ovos inteiros

– 1 colher de sopa cheia de semente de erva doce

– 150 gr de fubá

– 100 gr de queijo meia cura ralado

Modo de Preparo:

Fazer pão em casa é uma das poucos – se não a única – que eu gosto de fazer quanto estou meio puto com alguma coisa. Não porque você pode fazer de qualquer jeito, mas sim porque quanto mais você socar e amassar a massa do pão, mais leve e aerada ela vai ficar.

Em uma vasilha grande, misture todos os ingredientes secos.

Aqueça a água até que esteja morna – entende-se morna que você consiga colocar e manter o dedo dentro dela sem se queimar – e junte a ela o fermento biológico. É muito, muito, muito importante que você não deixe a água quente demais, já que a alta temperatura mata os microorganismos do fermento, o que não faria o pão crescer, mas sim virar uma lástima. Junte então os ovos, a manteiga e misture até que a massa quando prensada com as mãos, fique compacta, mas se desfaça ao toque.

Continue misturando com vigor (lembra do filho da puta do seu chefe? Essa é uma boa hora pra pensar nele) até obter uma massa uniforme, mas um pouco grudenta.

Retire-a da vasilha e coloque sobre uma bancada.

Sove a massa fazendo o seguinte movimento: Com a palma da mão traga a massa até você…

E empurre para a direita…

Repita o mesmo esquema usando a outra mão, dessa vez para a esquerda. Com o tempo você vai começar a pegar a manha e conseguir fazer com velocidade…esquerda, direita, esquerda, direita…

Coloque força no processo, pense em coisas boas – ou não – mas mantenha esse ritmo por cerce de 20 a 30 minutos, até que a massa fique bem elástica e lisa.

Coloque a massa sobre um prato e cubra com um pano limpo, deixando descansar por uma hora, até que ela dobre de volume

Com muita delicadeza corte a massa em quatro partes, sove mais uma vez cada uma por 10 minutos e deixe descansar novamente por mais uma hora, coberta com o pano limpo. Quando estiverem grandes e leves  – elas crescem mais ainda! – forre uma assadeira com papel manteiga e coloque os pedaços de massa sobre ele. Asse me forno pré aquecido a 180 graus por 25 a 30 minutos ou até que você espete ele com um palito e ele saia limpo. Sim, pasme, é como um bolo!

É legal você reservar uma assadeira por pão, pois eu coloquei todas juntas e elas apesar de crescerem, grudaram uma na outra.

Cubra com fubá enquanto ainda estão quentes…

E as sirva ainda quente, acompanhada de manteiga ou geléia.

Pra quem ficar com vontade de experimentar o Lapsang Souchong e todos os outros chás que vou mostrar aqui, é só ir à Loja do Chá, que fica na Av. Brig. Faria Lima, 2.232, 3° piso – Shopping Iguatemi em São Paulo, de segunda a sábado das 10h às 22h e nos domingos das 14h às 20h. Dúvidas no telefone 3816-5359.

Qual será o próximo?

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